Emprego

As profissões mais procuradas e os salários pagos em 2020

Fotografia: Stephane Mahe/Reuters
Fotografia: Stephane Mahe/Reuters

Comerciais e profissionais de Tecnologias da Informação são os perfis que estão no topo da lista de prioridades de recrutamento este ano, correspondendo à necessidade de 30% dos empregadores ouvidos pela Hays, especialista em recrutamento de profissionais especializados, segundo o Guia do Mercado 2020.

A lista de profissões mais procuradas prossegue com engenheiros (22%), marketing e comunicação (14%), administrativos/suporte (14%), logística/supply chain (13%), financeiros (12%), RH/Payroll (8%), apoio ao cliente/contact center (8%), hotelaria/turismo (7%), consultores (7%), retalho/loja (7%), ciências da vida/saúde (6%), procurement (6%), jurídicos/legal (4%), controlo de crédito/cobranças (3%) e auditores (1%). No gráfico abaixo é possível ver a evolução dos perfis mais procurados pelas empresas, desde 2013.

Hays _EVOLUÇÃO DOS PERFIS MAIS PROCURADOS PARA 2020

Para a managing director da Hays Portugal, Paula Baptista, “estamos numa altura bastante positiva, pois não só temos mais profissionais qualificados a viver em Portugal disponíveis para mudar de emprego, como também temos mais profissionais qualificados a viver fora de Portugal a querer regressar. A imagem que tinham de Portugal melhorou e a vontade de viver em Portugal aumentou. Assim, tornou-se um país mais atrativo para voltarem a procurar emprego. Não obstante, as empresas terão de apostar em pacotes salariais mais atrativos e em projetos inovadores”, pode ler-se no Guia de Mercado.

Profissões setor a setor

Este ano não será muito diferente do anterior, nas perspetivas de contratação no setor das Tecnologias de Informação. As funções mais procuradas são funcionais ERP, business intelligence analyst, front-end developers, full-stack developers Java/C#.NET, mobile developers, machine learning engineer/AI e data scientist/Data Eng. Segundo a Hays, “a dificuldade em recrutar irá manter-se nesta área pela ‘pool de talento’ ser reduzida e os candidatos cada vez menos recetivos ou disponíveis para uma mudança”.

À semelhança das TI’s, no setor de Marketing e Vendas as tendências de contratação deverão manter-se. Os mais procurados são key account managers, customer marketing managers, export managers, marketing & communications managers, trade marketing specialist e marketing manager.

O setor da Indústria e Logística segue a mesma linha de contratações de 2019. Os perfis mais solicitados são, sobretudo, supervisores de produção, engenheiros de automação e robótica, supervisores de turno e responsáveis de manutenção.

A procura a nível regional

Há necessidades diferentes a nível regional de profissionais. No norte, os perfis de engenharia (exceto TI) estão em grande destaque este ano (34%), seguindo-se Tecnologias da Informação (30%) e comerciais (30%). No centro, os engenheiros (exceto TI) estão também no topo (36%), mas logo de seguida são precisos comerciais (30%) e Tecnologias da Informação (27%). A sul, as Tecnologias da Informação lideram (30%), seguindo-se comerciais (29%) e marketing e comunicação (16%) para completar o top três (ver gráficos abaixo com as dez mais procuradas).

Hays _TOP 10 DE INTENÇÕES DE RECRUTAMENTO – POR REGIÃO

O tipo de empresa que pretende contratar procura também perfis diferentes. Os profissionais de Tecnologias da Informação correspondem mais às necessidades das microempresas e startups, enquanto as multinacionais, as grandes empresas nacionais e as PMEs procuram comerciais em primeiro lugar.

Os salários das profissões mais procuradas

O setor das Tecnologias da Informação continua bastante dinâmico, à semelhança dos anos anteriores. São cada vez mais as empresas que apostam nas novas tecnologias e na transformação digital. “Apesar de toda a inflação e pressão salarial que se tem sentido nesta área, para grandes players internacionais, Portugal continua a ser atrativo e a ter salários mais competitivos que outros países. O que torna os nossos profissionais tão interessantes são, sem dúvida, a Educação e Cultura. Por isso, prevê-se que os salários vão continuar a crescer em 2020 face ao dinamismo que se vive na área e pelo facto de ser o candidato a liderar o mercado de TI”, destaca a Hays.

Por exemplo, um administrador de redes, em média, deverá ganhar em Lisboa 22.500 euros se tiver menos de dois anos de profissão e 37.000 euros se tiver mais de dez de experiência. No Porto, os valores serão mais baixos, rondando os 22.000 e os 34.000 euros, respetivamente. No caso de um analista-programador, os valores médios em Lisboa situam-se entre 28.000 e 47.600 euros (para o mesmo perfil de experiência), e no Porto entre 21.000 e 30.800 euros. Um business analyst ficará entre 23.000 e 40.000 euros em média em Lisboa, e 22.000 e 29.000 euros no Porto. Um data cientist/data engineer ficará em média com 35-36..000 euros em Lisboa e entre 25.000 e 35.000 euros no Porto. Um programador front-end deverá ficar em média com 31.500 e 47.600 euros em Lisboa de remuneração, e 22.400 e 39.200 no Porto.

O setor de marketing e vendas destaca-se pelo “bom momento das exportações, a consolidação da área digital, o foco em employer branding e o interesse crescente em sustentabilidade. Se os primeiros três geraram necessidades de recrutamento específicas, o quarto fez-se sentir de forma transversal nas prioridades das empresas e na forma como pensam a sua estratégia de investimentos e recrutamentos”, considera a Hays.

Olhando para os salários, um account manager deverá ganhar, em média, 30.200 euros em Lisboa e 25.000 no Porto. Já os valores para um key account manager situam-se em 42.500 e 50.200 euros em Lisboa e 40.000 a 50.000 no Porto. Um responsável de marketing digital deverá ganhar em média entre 30.800 euros e 42.000 tanto em Lisboa como no Porto.

O setor da Indústria e Logística tem grande dificuldade em contratar perfis que acompanhem a aposta na indústria 4.0. “Existe um claro gap no mercado de profissionais com skills de robótica e automação. Grande parte das indústrias estão a começar a apostar em inovação tecnológica, digitalização e automatização dos seus processos. O que leva a uma necessidade de recrutar perfis capazes e com conhecimentos na área. Esta tendência impacta não só a nível de recrutamento, mas também na necessidade das empresas apostarem na formação dos seus colaboradores para se adaptarem a este novo paradigma. É necessário ainda perfis com competências comportamentais ao nível de adaptação e resiliência para conseguirem lidar de uma forma positiva com a mudança e influenciarem as suas equipas”, segundo a Hays.

Outros exemplos salariais, desta vez no setor da Indústria e Logística, são os de supervisor de produção que deverão auferir em média entre 22.400 euros e 32.200 em Lisboa, e 22.600 a 30.800 euros no Porto. Um responsável de manutenção deverá ter um salário médio entre 42.000 euros e 45.000 em Lisboa, e 21.000 euros e 32.500 euros no Porto. No caso de um engenheiro de processo/automação, o salário médio deverá rondar valores entre 28.000 euros e 42.000 em Lisboa, e 28.000 a 35.000 euros no Porto.

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