GESTÃO & RH

Quando automatizar não significa despedir pessoas

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O grupo Lusiaves tem em marcha uma verdadeira “revolução digital” centrada nos colaboradores e em novas contratações

O grupo Lusiaves vai duplicar – de 500 mil para um milhão de euros – o seu investimento em recursos humanos em 2017 e manter um ritmo de contratações de 220 pessoas por ano, a um ritmo mensal de 30 novas vagas para preencher. A garantia é dada por Paulo Gaspar, administrador para a área da Inovação, que sublinha a “revolução digital” em curso na empresa no âmbito do programa Indústria 4.0 lançado pelo governo.

No total, a empresa conta com 3000 mil funcionários diretos e 2000 indiretos e está constantemente em processos de recrutamento, numa tentativa de conquistar e reter talento sobretudo no centro do país. “Agora que a economia e o mercado de trabalho começam a melhorar é essencial investir nos colaboradores”, diz o administrador.

Só no plano da inovação, o grupo que lidera o setor avícola em Portugal, com uma produção de 100 milhões de aves por ano, planeia um investimento de cinco milhões de euros em 2017 e 2018, no âmbito de um plano de investimento global até 2021 para aumentar a capacidade produtiva e manter um crescimento acima dos dois dígitos nos próximos anos.

No entanto, garante Paulo Gaspar, a aposta forte na digitalização do negócio e na automatização dos processos industriais no grupo Lusiaves “não significa um desinvestimento nos recursos humanos”. Antes pelo contrário.

“A tecnologia desempenha um papel importante, mas as pessoas também. Prova disso é que temos cerca de 30 vagas abertas em cada mês. Contratámos 220 pessoas só no ano passado. E em 2017 serão outras tantas, de acordo com o nosso plano”, explicou o responsável. “Este processo de transformação digital já acontece há muito tempo. A nossa fábrica de rações está totalmente automatizada há 15 anos e, apesar disso, nunca deixámos de contratar. A diferença é que a digitalização da nossa indústria implica, por exemplo, a contratação de pessoas com melhores qualificações.”

A par disso, e ainda no âmbito do programa Indústria 4.0, a Lusiaves está a implementar novos sistemas tecnológicos com uma experiência de utilização “muito amiga” para os colaboradores. “As pessoas já estão habituadas às aplicações dos seus smartphones. Queremos trazer para os nossos ambientes industriais e fabris uma experiência de utilização semelhantes às das apps do dia-a-dia, para ser mais fácil fazer o onbording dos novos trabalhadores, para que logo nos primeiros dias já estejam a trabalhar a 100%.” Também para acolher as centenas de novas contratações para o grupo, a Lusiaves vai dar início em 2017 à expansão da sua sede, na zona de Leiria, com um novo edifício “à la Google, um escritório muito fixe, em open space, com muita pinta, com restaurante, ginásio, zonas de desporto, campo e espaço de cowork para startups e empresas parceiras”.

Outra iniciativa destacada por Paulo Gaspar é um projeto-piloto que arrancou na empresa há cerca de um mês para a implementação da nova ferramenta Workplace, a versão empresarial do Facebook, que “vai permitir criar uma espécie de intranet social dentro do grupo Lusiaves para que os 3000 colaboradores possam estar a par de tudo o que se faz”.

A Lusiaves é a primeira empresa em Portugal a implementar o Workplace e já angariou 150 colaboradores para esta rede social interna. “Acredito que vai permitir transformar o grupo Lusiaves numa empresa mais jovem, mais rápida, direta, menos burocrática, menos pesada.”

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