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Ryanair continua a não cumprir leis nacionais e ignora greve europeia

Michael O'Leary, presidente executivo da Ryanair. Fotografia: 
EPA/STEPHANIE LECOCQ
Michael O'Leary, presidente executivo da Ryanair. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ

Na próxima semana sindicatos e Ryanair sentam-se à mesma mesa numa reunião obrigatória. Ryanair continua a aplicar as leis irlandesas.

O clima de tensão entre a Ryanair e os tripulantes de cabine está aumentar e nem a greve convocada para os próximos dias 25 e 26 de julho parece demover a low-cost. O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) denunciou ao Dinheiro Vivo que a companhia irlandesa impediu um tripulante, com base em Ponta Delgada, e que foi pai no dia 29 de junho, de usufruir da licença parental de acordo com a lei portuguesa.

Segundo Bruno Fialho, representante da estrutura sindical, a Ryanair alegou que deveriam ser aplicadas as leis da Irlanda, país onde está sediada a transportadora aérea, e que estipulam um período de 15 dias de licença, em detrimento da lei portuguesa, que prevê 25 dias úteis. “Depois de o sindicato intervir, a Ryanair cedeu e decidiu facultar mais alguns dias de licença para além dos 15 dias. Mas esta manhã ligaram e voltaram com a palavra atrás”, lamenta Bruno Fialho.

Leia também: Se a Ryanair não ceder, sindicatos vão convocar greves todos os meses

O caso vai avançar para tribunal, embora o representante não vislumbre uma solução firme nesta instância. “O efeito prático é quase nulo, ele (o trabalhador) quer ver o filho que nasceu agora e estar com ele neste momento”, diz.

Ryanair e sindicatos sentam-se para reuniões de mediação

“Este é o clima que se vive nesta empresa, é indescritível, e só é similar ao da SATA Internacional, que está a desrespeitar várias leis internacionais, com a conivência do governo regional e nacional”, acusa o responsável do SNPVAC. Na semana passada as estruturas sindicais estiveram reunidas com a SATA, num encontro, obrigatório por lei, de mediação de conflitos, a propósito da greve dos técnicos de manutenção agendada para setembro. “O sindicato tentou abordar os temas e os representantes da empresa disseram que não estavam interessados em falar”, acusa.

Durante a próxima semana igual procedimento juntará o SNPVAC com os responsáveis da Ryanair. “É uma questão meramente burocrática e legal, não tem a ver com uma atitude diferente da Ryanair perante os sindicatos. Não houve qualquer resposta nem manifestação nem antes nem após o anúncio da greve. Isto é uma questão obrigatória. As pessoas são obrigadas a sentar-se à mesa e da parte do sindicato tentamos sempre chegar a uma solução”, explica o sindicalista.

Esta terça-feira decorre uma reunião de mediação com os sindicatos espanhóis e que, na opinião de Bruno Fialho, não irá alterar a posição da companhia aérea irlandesa. “A A lei espanhola, tal como a nossa, obriga a reuniões entre as empresas e os sindicatos, mediadas pelo ministério do trabalho para aferir os serviços mínimos e, durante essas reuniões, um dos pontos é a mediação do próprio conflito em si. Mas nada vai mudar enquanto a direção da Ryanair for a mesma”, atesta.

Nos próximos dias 25 e 26 de julho, os tripulantes de cabine da Bélgica, Espanha, Itália e Portugal avançam com uma paralisação de 48 horas, à exceção dos trabalhadores com base na Itália que apenas param no primeiro dia.

Leia também: Greve europeia da Ryanair avança a 25 e 26 de julho

As condições salariais, o direito de usufruto de licenças de parentalidade, o fim dos processos disciplinares com base nas baixas médicas ou nos objetivos inerentes às vendas de bordo, são alguns dos motivos que estão na base das reivindicações sindicais que despoletaram a greve agora anunciada.

“Iremos fazer as lutas que forem necessárias durante o tempo que for necessário até que o governo português intervenha e proteja os seus cidadãos. Congratulamo-nos por termos na ONU um cidadão português, sempre na luta por outros cidadãos de outros países e, no nosso próprio país, descuramos totalmente a proteção ao nossos”, conclui Bruno Fialho.

 

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