Mercado de Trabalho

Salário já não é tudo para segurar jovens talentos

( Pedro Granadeiro / Global Imagens )
( Pedro Granadeiro / Global Imagens )

Empresas estão a ter dificuldade em reter as novas gerações. Para os mais qualificados, já não é só o salário que conta para aceitar um emprego.

As empresas estão em ebulição com as alterações do mercado de trabalho. Precisam de recrutar jovens talentos e de reter esses recursos, mas as novas gerações estão pouco dispostas a fazer carreira. “Há mais oferta de emprego e esses jovens estão muito disponíveis para mudar, têm mais vontade em colecionar experiências do que em ter uma carreira estável, com uma progressão natural”, sublinha Diogo Alarcão, CEO da Mercer Portugal, subsidiária do grupo internacional de consultoria de recursos humanos. “São pouco carreiristas” e o valor do salário per si já não é fator de atração.

Esta tendência reflete-se de forma expressiva na rotação dos jovens qualificados dentro das empresas. “É um problema. No setor dos serviços há áreas em que a taxa de rotação está nos 18%”, quando o “normal e saudável é um máximo de 8%”, alerta. Com base nesta realidade, Diogo Alarcão não tem dúvidas em afirmar: “Há um problema de atração e retenção de talento em Portugal”. Para o responsável, já passou o tempo dos salários de 800/900 euros, agora já se aproximam dos 1200 euros.

Banca, seguros, auditoria, consultoria, farmacêutica e tecnologia são as áreas mais ativas na procura de talentos. “Há uma pressão das empresas para dar resposta aos planos de crescimento e investimento”, que esbarra na pouca oferta de recursos qualificados. Por isso, “cada vez mais as empresas vão às universidades logo nos primeiros anos dos cursos”, mas ainda assim há todo um paradigma para mudar. Diogo Alarcão frisa que é essencial as empresas “investirem muito mais no recrutamento e na gestão dos recursos humanos”, até porque cada vez que sai um colaborador a entidade empregadora está a desperdiçar valor.

Desafios e soluções

Mas o que querem estes jovens? Segundo Diogo Alarcão, as novas gerações valorizam matérias como o bem-estar, integração da vida profissional e pessoal, mobilidade nas funções, comunicação digital, flexibilidade de horário e bolsa de benefícios. Por exemplo, para a maioria dos jovens, a saúde e o bem-estar é um requisito mais importante do que a carreira, mas grande parte dos empregadores continua a não responder adequadamente a esses propósitos. “Há empresas que veem o seguro de saúde como ameaça de doença do colaborador, quando é exatamente o contrário, é a prevenção da doença”.

Estar atento às preocupações e paixões dessa geração é essencial, assim como saber o que faz estes jovens felizes – um discurso pouco comum, mas que a Mercer antecipa como uma tendência relevante no processo de recrutamento.

Diogo Alarcão não tem dúvidas que também os espaços de trabalho no setor dos serviços terão de se alterar. Os jovens querem praticar exercício físico, ter serviços para apoiar o seu dia-a-dia, participar em eventos de networking, auferir de uma boa rede de transportes públicos nas proximidades e querem que lhes falem na linguagem com que nasceram – a digital.

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