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Se a Ryanair não ceder, sindicatos vão convocar greves todos os meses

Fotografia: DR
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Bruno Fialho acusa o Governo português de falta de ação. Pilotos portugueses podem também juntar-se aos protestos.

“Em agosto caso a Ryanair não cumpra a lei continuaremos a lutar. E em setembro, e em outubro. Até que a Ryanair decida cumprir a legislação nacional de cada país. O nosso plano é que a Ryanair mude. Se não mudar somos obrigados a convocar greves todos os meses”, admite ao Dinheiro Vivo Bruno Fialho, do SNPVAC (Sindicato Nacional Do Pessoal De Voo Da Aviação Civil).

Os tripulantes de cabine da companhia aérea low-cost anunciaram esta quinta, 5, após um terceiro encontro em Bruxelas, que a Bélgica, Espanha e Portugal avançam com uma greve de 24 horas nos dias 25 e 26 de julho e, no dia 25, também Itália fará parte da paralisação.

Há sindicatos de outros países europeus, como Alemanha, Holanda, Grécia e Polónia, que estão solidários com a luta destes trabalhadores mas que não podem, para já, juntar-se à greve devido a restrições das legislações nacionais. Contudo, estes países vão cumprir todos os procedimentos necessários legais exigidos para que possa ser convocada a greve, assegura o sindicalista português.

” [O Estado] Tem de fazer cumprir a lei. Se tem meios para multar pessoas, se tem meios para fazer acordos com cantoras americanas, se tem meios para tudo, também terá meios para fazer cumprir a lei

Leia também: Greve europeia da Ryanair avança a 25 e 26 de julho

Questionado sobre a possibilidade de a companhia irlandesa recorrer a intimidações para chamar trabalhadores de outras bases de forma a substituir os grevistas, conforme fez na greve de três dias não consecutivos em Portugal, Bruno Fialho é perentório. “Isso irá acontecer mas as pessoas já não têm medo. Chegou o dia revolta e os trabalhadores já não toleram que este tipo de pessoas que estão à frente da Ryanair continuem a utilizar esse tipo de ameaças”, alerta.

Para além de uma reação da companhia liderada por Michael O’leary, o SNPVAC espera também uma atitude por parte do governo português. “Tem de fazer cumprir a lei. Se tem meios para multar pessoas, se tem meios para fazer acordos com cantoras americanas, se tem meios para tudo, também terá meios para fazer cumprir a lei”, acusa Bruno que garante que é altura de o “Estado escolher o lado certo, que é o dos trabalhadores”.

Após três reuniões das estruturas sindicais e as repetidas ameaças de greve, a Ryanair não se mostrou disposta a negociar com os trabalhadores nem a encontrar uma solução às exigências. Apesar da greve, Bruno Fialho admite que é cético em relação a uma mudança de atitude da direção da companhia aérea.

“Isso irá acontecer mas as pessoas já não têm medo. Chegou o dia revolta e os trabalhadores já não toleram que este tipo de pessoas que estão à frente da Ryanair continuem a utilizar esse tipo de ameaças”

“Sinceramente tenho grandes dúvidas, no entanto agora quem vai decidir serão os acionistas da empresa. Duvido que quem está à frente da empresa mude a sua atitude de 30 anos de constates atropelos que tem feito aos trabalhadores Muito teria para mudar”, lamenta.

As condições salariais, o direito de usufruto de licenças de parentalidade, o fim dos processos disciplinares com base nas baixas médicas ou nos objetivos inerentes às vendas de bordo, são alguns dos motivos que estão na base das reivindicações sindicais que despoletaram a greve agora anunciada.

Também os pilotos da Ryanair na Irlanda, que são filiados na Associação dos Pilotos da Irish Airlines (IALPA) aprovaram uma greve de 24 horas para a próxima quinta-feira, 12 de julho. As motivações são as mesmas: salários e condições de trabalho.

Bruno Fialho admite que para além dos tripulantes de cabine também poderá existir em Portugal uma greve de pilotos.

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