GESTÃO & RH

Toyota de excelência graças às artes marciais

Toyota é a segunda maior marca automóvel do mundo, apenas atrás do grupo Volkswagen. Fotografia:  REUTERS/Paulo Whitaker
Toyota é a segunda maior marca automóvel do mundo, apenas atrás do grupo Volkswagen. Fotografia: REUTERS/Paulo Whitaker

Aprender com os erros e ensinar desde os empregados aos gestores são as principais razões do sucesso da empresa

Fundada em 1933, a Toyota é uma das maiores marcas de automóveis a nível mundial. Só no ano passado vendeu 10,2 milhões de veículos e ficou a muito curta distância do grupo Volkswagen. A marca criada por Kiichiro Toyoda é objeto de estudo de investigadores internacionais desde há vários anos e escola de negócios, porque a Toyota transformou-se numa empresa capaz de melhorar de forma contínua. Para isso, além das inovações, a marca automóvel está cada vez mais focada na gestão.

Mike Rother, engenheiro e investigador da Universidade do Michigan (Estados Unidos), explorou durante seis anos a marca japonesa e concluiu que a empresa segue um método de gestão batizado de Toyota Kata. Este método consiste essencialmente em realizar vários exercícios para conseguir alcançar a excelência.

A palavra kata descreve uma série de movimentos estabelecidos, praticados individualmente nas artes marciais e que implicam praticar para aprender. Só que, para isto acontecer, é preciso fazer que toda a empresa esteja orientada para um objetivo comum.

Este método de trabalho segue dois padrões: o improve kata, em que é explicado como se melhora e avança continuamente numa empresa de automóveis, e o coaching kata, que é baseado em como se ensina e se explicam todas as melhorias.

No improve kata são criados vários hábitos de melhoria que ajudam a alcançar metas complexas e fazer que as pessoas tomem decisões baseadas na experimentação e na aprendizagem. É que na Toyota todos os desafios são enfrentados com base nesta premissa: para partir de onde se está até ao lugar onde queremos chegar é preciso atravessar uma série de obstáculos desconhecidos. Para ultrapassá-los, é preciso colocar etapas no curto prazo, ou seja, ir etapa a etapa até chegar à derradeira meta.

Ainda assim, sustenta o investigador ao jornal Cinco Dias, uma visão ou orientação no longo prazo ajuda a focar ideias e ações: “Sem isto, as propostas são avaliadas de forma independente em vez de serem avaliadas como parte de um esforço dirigido para cumprir um determinado objetivo.”

Na Toyota, isso é conseguido através do estabelecimento de várias rotinas, como a planificação: assim que arrancar o processo, é necessário continuar até alcançar o objetivo. Fixar o tempo para alcançar o objetivo também é importante, porque gera tensão e estímulo. Uma vez que isto for alcançado, é necessário analisar que ferramentas e recursos estão disponíveis.

O improve kata é complementado pelo coaching kata, em que são ensinadas todas as melhorias que ocorreram e fazer que a empresa as possa absorver. Não vale a pena estar a inovar se não for possível partilhar com a empresa.

Nesta etapa, há um coach que realiza sessões para que os funcionários possam entender, comparar e introduzir as alterações necessárias. Após cada encontro, cada profissional deve fazer várias perguntas e procurar o próximo objetivo, saber se superou a meta atual, que obstáculos estão a interromper constantemente o trabalho e que experiências devem começar a ser realizadas. Este processo é necessário porque para chegar ao sucesso há sempre algo para melhorar.

O sucesso da Toyota passa por uma política de zero defeitos, 100% de valor acrescentado, ordem e segurança para as pessoas. Além disso, na marca não há medo de arriscar, para que o próprio funcionário possa compreender onde pode falhar e encontrar uma solução.

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