aviação

Tripulantes portugueses da Ryanair obrigados a dormir no chão 

Tripulantes ficaram sem acesso a comida e a dormir no chão, denuncia o sindicato. Ryanair diz que se trata de uma "encenação".

As condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir no passado fim de semana, devido à tempestade tropical Leslie, obrigaram ao desvio de quatro voos da Ryanair que tinham como destino o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. A companhia low-cost acabou por desviar os aviões para Málaga, Espanha, onde os 24 tripulantes (8 pilotos e 16 Tripulantes de Cabine) ficaram sem condições para descansar e sem acesso a alimentação, denuncia o Sindicato Nacional Do Pessoal De Voo Da Aviação Civil (SNPVAC).

De acordo com a estrutura sindical, os trabalhadores da transportadora foram colocados numa sala destinada a reuniões, e onde não havia as “mínimas condições de descanso”.

“Os 24 tripulantes ficaram desde a 1h30 até às 06h00 (hora local) sem acesso a comida, bebidas e até sem lugar para todos se poderem sentar”, refere o sindicato em comunicado. Posteriormente, pelas 06h00, os trabalhadores foram encaminhados para o lounge do aeroporto continuando “sem acesso a comida e a bebidas”, atesta o sindicato.

A Ryanair, questionada pelo Dinheiro Vivo, garante que tudo se trata de uma encenação. “Esta imagem é claramente encenada e nenhum tripulante “dormiu no chão”. Devido a tempestades que afetaram o aeroporto do Porto (dia 13 de Outubro), alguns voos foram desviados para Málaga onde, tratando-se de um fim de semana prolongado em Espanha, os hotéis se encontravam cheios. A tripulação passou um breve período de tempo na sala de tripulantes antes de ser colocada num lounge VIP, tendo regressado ao Porto no dia seguinte (nenhum destes tripulantes esteve e serviço durante o regresso ao Porto)”, adianta fonte oficial da transportadora aérea.

A tripulação apenas chegou ao Porto pelas 13h40 de domingo, num voo não comercial, ou seja, sem passageiros.

O SNPVAC lamenta a atitude da Ryanair e garante que vai efetuar uma “denuncia formal a todas as Autoridades da Aviação Civil envolvidas” e espera “uma intervenção urgente e robusta para que situações desta natureza não voltem a acontecer”.

“É lamentável e inadmissível que, em pleno século XXI, possamos assistir a este tipo de situações, onde ainda constatamos que a Ryanair opera sem qualquer tipo de respeito pelos seus funcionários e pelos seus passageiros que também foram deixados à sua sorte no referido aeroporto, num sector, fortemente regulado por autoridades nacionais e europeias”, conclui o sindicato.

O sindicato relembra que este comportamento da empresa é um dos motivos que tem levado às várias greves europeias dos vários trabalhadores da companhia liderada por Michael O’Leary.

As condições salariais, o direito de usufruto de licenças de parentalidade, o fim dos processos disciplinares com base nas baixas médicas ou nos objetivos inerentes às vendas de bordo, são outras das razões que têm estado na base das reivindicações sindicais dos últimos meses.

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