Coronavírus

Um terço dos estagiários Inov Contacto já regressou a Portugal

Campus Inov Contacto 2020
Foto: DR

Os últimos estagiários à espera de regresso a Portugal estão na Hungria e em Moçambique, indica a AICEP.

No final de janeiro, quando os 201 jovens do programa de estágios internacionais da Aicep souberam quais os países para onde iriam trabalhar nos próximos seis meses, ainda o cenário de pandemia estava longe. Mas já nessa altura, por razões de segurança, ficou assente que nenhum dos estagiários do programa Inov Contacto rumaria à China ou a outros países asiáticos, algo que já era habitual em edições anteriores.

Algumas semanas depois dos anúncios, a Covid-19 é considerada uma pandemia global e são já mais de 160 os países com casos confirmados. Se tudo começou na China, nestas últimas semanas a Europa passou a ser o epicentro da pandemia, com países como Itália ou Espanha entre os mais afetados. Como medidas perante uma crise global excecional, vários países pediram isolamento social aos cidadãos ou declararam restrições às viagens, que resultaram na suspensão de voos em vários pontos do globo.

Perante este cenário de incerteza, a Aicep, que este ano colocou estagiários em mais de 80 países, indica que “tem estado em contacto permanente com os estagiários, prestando-lhes todo o apoio necessário”. Com o adensar da crise e o encerramento de fronteiras, foi pedido aos estagiários Inov para fazer escolhas em tempo recorde: continuar em estágio nos vários países ou regressar a Portugal.

A lista inicial de destinos incluía países como Itália, Espanha, Bélgica ou Reino Unido, mas também Moçambique, Irão, Quénia, Brasil ou Argentina. “Foi colocada a todos os estagiários a possibilidade de ficar a trabalhar a partir de casa, nos casos em que tal seja possível, mantendo-se no país onde foram colocados ou regressando a Portugal”, indica a organização responsável pelo programa. Quem escolheu continuar o processo de estágio está também em processo de isolamento. Em Itália, o país europeu mais afetado pelo surto, já estava colocado um estagiário, que escolheu também ficar naquele país, em regime de teletrabalho.

Houve também algumas desistências, pelo caminho. “Do total de 201 estagiários Inov Contacto, até agora, registámos quatro desistências”. [Esta segunda-feira, dia 23, a Aicep atualizou o número para cinco desistências]. A Aicep indica que as candidaturas a uma próxima edição não ficam fora de alcance, “desde que se cumpram os requisitos já definidos, nomeadamente a idade, e com uma majoração”.

Da lista total de estagiários colocados, a entidade avança que “até ao momento, apenas um terço dos estagiários preferiu regressar a Portugal, mantendo-se em trabalho remoto” com as respetivas empresas, nos casos em que isso é possível. Os últimos estagiários à espera de regresso a Portugal estão na Hungria e em Moçambique, indica a Aicep.

Tendo em conta a excecionalidade da crise causada pelo vírus, um possível regresso para completar a experiência de trabalho internacional nos países onde foram colocados, tão aliciante para muitos dos participantes, continua a ser uma incógnita. “Dado o momento excecional que atravessamos, que também afeta praticamente todos os países em causa, essa é uma situação que requererá avaliação, em devido tempo”, afirma a entidade responsável pelo programa.

Com os estagiários a receberem ajudas para suportar a estadia de permanência no estrangeiro, quem escolheu regressar a casa devido ao vírus ficou sem acesso a este subsídio. A AICEP explica que, “sendo um programa cofinanciado pelo POISE – Programa Operacional de Integração Social e Emprego, do Portugal 2020, integrando a Iniciativa Emprego Jovem ao abrigo do Fundo Social Europeu, da União Europeia, para os estagiários que escolheram regressar a Portugal, a componente referente ao subsídio de estadia de permanência no exterior não poderá ser remunerada”.

Trinta jovens não chegaram a sair do país
Se há quem passe pela incerteza de estar em isolamento num país diferente, a milhares de quilómetros da família e amigos, também há quem nem sequer tenha chegado a sair de Portugal para começar esta experiência internacional. É esse o caso dos trinta estagiários que deveriam rumar aos Estados Unidos, para locais como Nova Iorque, Califórnia ou Boston. O início da experiência destes jovens no país de Trump estava pendente do acesso a visto para residência nos Estados Unidos.

As últimas decisões do governo americano vieram trazer ainda mais dúvidas. Em primeiro lugar, as restrições da entrada no país de cidadãos de países do Espaço Schengen e, esta semana, a decisão do Departamento de Estado de suspender todos os serviços de vistos a nível global. Ao Dinheiro Vivo, a Aicep indica que, tendo em conta todo o cenário de incerteza sobre o evoluir da situação a nível global, não é possível saber se ou quando a experiência destes jovens poderá mesmo começar em terras de Tio Sam.

Nota: após a publicação deste texto, a Aicep dá conta de mais dois pedidos de regresso a Portugal, feitos ao longo do fim-de-semana, incluindo um pedido de regresso do único estagiário colocado no Quénia. Atualizado pela última vez às 14h30 de dia 23/03/2020.

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