Van Zeller: “Redução da TSU não chega”

Francisco Van Zeller
Francisco Van Zeller

O Governo pode cortar a Taxa Social Única (TSU) para as empresas que empreguem jovens que recebem o salário mínimo nacional, de 475 euros.

Para o antigo presidente da Confederação Industrial Portuguesa (CIP), a “ideia é positiva” mas só se “for tomada em conjunto com outras medidas”, caso contrário “não vale de muito”.

Todos os trabalhadores descontam 11% para Segurança Social e as empresas descontam um valor superior, de 23,75% e é esta taxa que o Governo pretende cortar como forma de combater o desemprego jovem, segundo o Jornal de Negócios.

O Eurostat revelou hoje que a taxa de desemprego entre os mais novos atingiu os 36,3% em Portugal, no mês de Abril.

Contactado pelo Dinheiro Vivo, Francisco Van Zeller considera que a TSU é “mais importante” nos contratos sem termo e considera que a medida não faz a diferença em muitas empresas. “O que é que interessa não pagar a TSU sobre um empregado para a vida se ele for incompetente?”, pergunta.

Para o gestor é importante apostar na fixação dos jovens em Portugal para evitar uma fuga de cérebros. “A medida tem que ser acoplada a outras iniciativas como a fixação de jovens no mercado de emprego em muitas áreas. Normalmente pensamos nos jovens mais formados, que foram os que custaram mais dinheiro a formar. É um capital muito grande que está a emigrar e que é fundamental fixar em Portugal”, defende.

“O ideal”, diz Van Zeller, “é dar uma perspectiva de médio prazo para eles se interessarem por uma carreira, precisam de ter uma perspectiva de futuro para não serem só caixas de supermercado ou trabalharem em call centers”.

Para o antigo líder da CIP, o Governo não pode correr o risco de estar a capitalizar as empresas sem um compromisso. “Também é preciso uma responsabilização dos empregadores, que tem este desconto, pela formação. Não é só “pegue lá este dinheiro e empregue essa pessoa”. Não. O dinheiro deve servir para responsabilizar o empregador perante o interesse, a fixação e o interesse desse jovem”.

Sobre a necessidade do Governo implementar mais medidas para fomentar o crescimento económico, o gestor fala sobre a sua experiência pessoal e dá as suas sugestões. “Quando eu estava na CIP os acordos que fechávamos tinham sempre o crescimento e o emprego como pontos principais. É preciso facilitar o crescimento”, considera Van Zeller.

“As empresas precisam de menos burocracia porque esta é fatal”, afirma, acrescentando que também é necessária mais flexibilização do mercado de trabalho. “Esta flexibilização não está relacionada com despedimentos, trata-se de mobilidade geográfica e funcional. Para colocar um colaborador noutras funções ou deslocá-lo para um novo local de trabalho se a empresa estiver em apuros”, conclui.

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