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Grupo Mosqueteiros investe 68 milhões em cerca de 20 lojas

(DR)
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Grupo dono do Intermarché prevê criar 500 empregos. Espera uma faturação a subir dois dígitos. E já reforçou compras a produtores nacionais.

Nem a pandemia pôs travão às estimativas de crescimento do grupo Os Mosqueteiros em Portugal. Depois de, no ano passado, o dono do Intermarché e do Bricomarché ter gerado receitas de 2,3 mil milhões (+3%), o objetivo volta a ser crescer. “Temos perspetivas de crescimento na ordem dos 10% para a área alimentar e 15% para o setor da bricolage, mas queremos ultrapassar as previsões”, adianta Laurent Boutbien, presidente de Os Mosqueteiros. Só neste ano, contam investir 68 milhões, abrir perto de duas dezenas de lojas e criar 500 postos de trabalho, a juntar aos já 14 mil colaboradores. Já são 263 empresários franquiados.

Operando na área alimentar (Intermarché), bricolage (Bricomarché) e automóvel (Roady) o grupo viu a operação afetada de forma distinta com o evoluir da pandemia. “No alimentar, assistiu-se a um crescimento muito acentuado aquando do alerta de pandemia, seguindo-se um período de estabilização com valores equivalentes aos do homólogo”, descreve Laurent Boutbien, enquanto no Bricomarché houve “uma progressão de 40% aquando do confinamento, situação que se justifica com a permanência dos portugueses em casa e a maior dedicação a esse espaço.” “A única quebra aconteceu na insígnia automóvel, como é compreensível. No entanto, o impacto no setor da reparação automóvel foi superior ao sentido na nossa marca, algo que se justifica pelo apoio dado pela estrutura do grupo, um suporte que uma oficina isolada não tem”, refere.

“Apesar dos constrangimentos provocados pela covid, o plano que traçámos manteve-se e temos trabalhado no seu cumprimento. E esse plano é muito claro em matéria de crescimento: até 2025 queremos mais 2,5% de quota de mercado no alimentar, subindo para os 12%; crescer 6,3% na área de bricolage fixando a quota de mercado Bricomarché nos 20%; e subir 9% no Roady atingindo 45% da quota de mercado nos centros-auto.”

Até agora, abriram três Intermarché (o último em Alcanede, nesta semana) e dois Bricomarché, tendo sido feitos “investimentos significativos na nossa logística (bases em Paços de Ferreira, Alcanena e Cantanhede) que permitiram tornar a operação mais eficiente, não só do ponto de vista económico como do da sustentabilidade”. São cinco das 19 lojas que o grupo planeia abrir neste ano.

“Vai exigir um investimento na ordem dos 68 milhões. Esta estratégia de expansão vai permitir responder a uma das nossas prioridades: a criação de novas empresas (empresários independentes) que permitirão por seu lado criar mais de 500 novos postos de trabalho.” No ano passado, o retalhista alcançou nos quatro países europeus onde está presente – além de Portugal, França, Bélgica e Polónia – um volume de negócios global de 45,331 mil milhões de euros.

Compra a produtores nacionais sobe 10,59%
Serão os supermercados Intermarché a abrir o maior número de lojas e a absorver a maior fatia de investimento. “Queremos abrir 11 de norte a sul de Portugal, mas os investimentos não ficarão apenas pelas aberturas: iremos manter o plano de renovação de lojas de forma que estejam todas adaptadas ao conceito”, absorvendo 36 milhões de investimento. Data para chegar ao Porto ainda não há, mas o plano é crescer também nesta insígnia: mais 10% em cima dos 2,09 mil milhões do ano passado (uma subida de 60 milhões face a 2018). Também graças ao contributo do aumento da oferta de postos de combustível nas lojas. Dos 250 Intermarché, 192 já permitem abastecer o carro e o plano é ter mais sete até ao fim do ano.

Depois de “um pico de afluência” nos supers, a situação “estabilizou”, mas com muitos portugueses a verem cair o seu rendimento, o grupo está “atento”, mas não quer embarcar numa guerra de preços. “Mais importante do que ter uma política comercial assente em promoções é ter uma política de preços baixos durante todo o ano, pois só dessa forma conseguimos que os nossos clientes mantenham o seu poder de compra”, defende Laurent Boutbien.

A PorSi, marca própria lançada no ano passo, dá corpo a essa política. Arrancou com mil referências, mas o objetivo é que este ano termine com 2500 referências nas prateleiras a representar 40% das vendas. Em 2021 querem 3 mil referências PorSi nos lojas. “Já conseguimos garantir que 60% dos nossos artigos são nacionais e que temos parcerias estabelecidas com 200 fornecedores, no futuro é nosso desejo e compromisso estimular ainda mais a economia nacional e local.” E também ajudar nas exportações: foram 3,2 milhões de euros só no ano passado. “Exportamos cerca de 150 referências, na sua maioria mercearia e bebidas alcoólicas. Estes produtos chegam atualmente a 1832 pontos de venda do Intermarché e 295 Netto. Os produtos estão disponíveis para todos os pontos de venda estando mais implantados nos pontos de venda onde existe maior concentração de portugueses, como a região de Paris, Centro-Este, Sudeste e Sudoeste”, adianta.

Em pandemia, a cadeia também reforçou a sua ligação à produção nacional. Já trabalham com 700 produtores através do Programa Origens, que fornecem mais de 300 produtos. “Comprar português, apoiando os produtores nacionais, nunca foi tão relevante para a recuperação económica como agora e no Intermarché estamos muito conscientes do nosso papel nesta corrente económica”, diz. Até junho, “já foram compradas 40 mil toneladas de frescos a produtores nacionais o que representa um crescimento em valor de cerca de 10,59%.”

Bricomarché com 21 milhões de investimento
No Bricomarché, depois de ver as receitas crescerem 9% no ano passado, para 124 milhões, a meta é agora subir 15% a faturação. E abrir lojas, com novos formatos: Essencial, até 1300m2, Generalista até 2500m2 e Especialista com mais de 3500m2, que inclui o serviço de Bâti Drive, um drive through para materiais de construção. Pretendem abrir sete lojas – criando 155 postos de trabalho – remodelar dez com a nova imagem, o que representa um investimento de 21 milhões de euros. Hoje com cerca de 40 lojas, até 2025 o grupo quer ter 80 pontos de venda.

Em cinco anos, o Mosqueteiros aponta a mais seis centros-auto da Roady e um crescimento médio de 5,2% ao ano. Em 2019, a cadeia gerou 38,4 milhões em receitas (+2,6%) com 33 centros, dando emprego a 465 pessoas. “Em 2020, vamos abrir um novo centro-auto que irá permitir a criação de 12 novos postos de trabalho”, adianta o presidente de Os Mosqueteiros. Um investimento de 1,5 milhões.

(notícia atualizada às 11h23 com correção à cidade de abertura do Intermarché em agosto e número de produtores do programa Origens)

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