Economia

Portugal volta a divergir da Europa na pior altura de sempre

Os líderes grego, Kyriakos Mitsotakis, espanhol, Pedro Sanchez, romeno, Klaus Werner Iohannis e alemã, Angela Merkel com António Costa em Bruxelas.  EPA/STEPHANIE LECOCQ / POOL
Os líderes grego, Kyriakos Mitsotakis, espanhol, Pedro Sanchez, romeno, Klaus Werner Iohannis e alemã, Angela Merkel com António Costa em Bruxelas. EPA/STEPHANIE LECOCQ / POOL

Economia portuguesa afunda 16,3% no segundo trimestre e interrompe ciclo de convergência com a zona euro que durava há mais de quatro anos.

O produto interno bruto (PIB) de Portugal voltou a divergir da Europa e da zona euro no segundo trimestre deste ano, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Eurostat.

A diferença entre taxas de variação homólogas (comparação face ao segundo trimestre de 2019) é agora a mais desfavorável desde o início de 2013, quando o País estava sob o programa de austeridade da troika e do governo do PSD-CDS.

Isto significa que os restantes países da moeda única estão a empobrecer, mas também que Portugal está a ficar pobre mais rapidamente, em termos reais (já descontando a inflação).

Segundo informou ontem o Eurostat, a generalidade dos países da União Europeia entrou em recessão profunda na sequência da pandemia e das medidas de confinamento decretadas pelos vários governos, mas o caso de Portugal é dos piores, pelo que o País se afasta assim ainda mais da média dos parceiros no pior momento possível.

Uma das principais explicações é de que os países mais dependentes do turismo estão a ser os mais penalizados pelas barreiras à mobilidade que ainda existem e pela falta de confiança que entretanto se instalou entre os consumidores.

Segundo o INE, que ontem também divulgou a sua segunda estimativa preliminar para a evolução do PIB, a economia portuguesa afundou 16,3% no segundo trimestre face a igual período do ano passado, o pior valor de que há registo. Ainda assim, este valor, sendo muito negativo, é menos mau do que a primeira estimativa avançada pelo INE há 15 dias (-16,5%).

Fonte: INE

Fonte: INE

Na zona euro como um todo, a situação também é das piores de sempre, mas o recuo foi de 15%.

Isto faz com que Portugal volte a divergir em termos reais da média da moeda única, o que não acontecia desde meados de 2016. A desvantagem da variação do PIB de Portugal é agora de 1,3 pontos percentuais, naquele que é o diferencial mais negativo em sete anos (face à zona euro).

Em relação à União Europeia, acontece a mesma coisa, sendo a divergência de 2,2 pontos percentuais a desfavor de Portugal, segundo cálculos do Dinheiro Vivo a partir dos dados do Eurostat.

Na Europa, Portugal aparece agora com o quarto pior desempenho económico, atrás de Espanha (quebra de 22,1% no segundo trimestre), França (-19%) e Itália (17,3%). Ainda não existem dados disponíveis para a Grécia.

O INE veio também confirmar que o país entrou oficialmente em recessão técnica, acumulando já dois trimestres consecutivos de recuo do PIB (em cadeia). A descida trimestral face aos primeiros três meses deste ano é de 13,9%.

No primeiro trimestre, a economia já tinha recuado 2,3% uma vez que as medidas de confinamento começaram a ser aplicadas em meados de março.

O INE explica que estes números refletem “em larga medida” o contributo muito negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB e que este até foi “consideravelmente mais acentuado que o observado no trimestre anterior”.

O instituto fala de uma “contração expressiva” do consumo das famílias e do investimento.

As exportações ainda estão pior e o colapso é histórico: o INE estima que as vendas de Portugal ao exterior tenham recuado uns impressionantes 39,6%, o que acontece “devido, em grande medida, à quase interrupção do turismo de não residentes” de abril a junho.

A Comissão Europeia está pessimista por causa do que vai acontecer ao turismo nos próximos tempos, em Portugal. Diz que a incerteza em relação aos voos e ao turismo global afeta particularmente economias muito dependentes do setor turístico; os riscos que pendem sobre as atuais projeções são negativos “devido ao grande impacto do turismo estrangeiro, onde as incertezas no médio prazo permanecem significativas”, justifica o instituto.

Fonte: INE, Eurostat e cálculos DV

Fonte: INE, Eurostat e cálculos DV

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