Coronavírus

Reabertura dos shoppings excedeu expectativa… agora falta Lisboa

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Reportagem no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, 23 de março de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Centros comerciais lamentam ter mais de um terço da atividade ainda fechada e antecipam o pior cenário.

Ainda sem shoppings abertos na capital, apesar dos apelos da associação de centros comerciais e das garantias de que todas as recomendações e cuidados serão cumpridos, empresas fazem um balanço positivo da reabertura que aconteceu no início desta semana em todo o país – à exceção da região da Grande Lisboa.

“Ambos os centros comerciais da Ingka excederam o número de visitantes registados nos primeiros dias de junho do ano passado”, declarou ao Dinheiro Vivo fonte oficial da gestora do MAR Shopping Algarve e Matosinhos, que incluem cerca de 300 lojas e “atingiram uma ocupação de 98% (lojas abertas)”.

“Embora ainda seja cedo para se fazer um balanço da reabertura alargada dos centros comerciais, todos os ativos geridos pela Sonae Sierra que estão nessa situação estão a operar dentro da normalidade e com segurança, quer para os visitantes quer para os nossos colaboradores, lojistas e fornecedores. Foi com muita satisfação que vimos os nossos clientes voltar a utilizar o seu centro de eleição”, confirma também ao Dinheiro Vivo Cristina Santos, administradora responsável pela gestão de centros comerciais da Sonae Sierra para Portugal e Espanha.

Shoppings de Lisboa querem operar sem restrições. Leia aqui

A dona do Colombo elogia o “comportamento responsável” que os visitantes têm adotado assim como o elevado nível de profissionalismo dos lojistas, que confirma ser a prioridade do grupo. “Nesse sentido, também os centros comerciais geridos pela Sonae Sierra situados na Área Metropolitana de Lisboa estão preparados para abrir as atividades que estão atualmente encerradas logo que o governo autorize a abertura das restantes atividades comerciais, mantendo o cumprimento de todas as recomendações de segurança da Direção-Geral da Saúde, como fizemos até aqui”, sublinha a responsável.

Também a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC) já veio lamentar o atraso na reabertura em Lisboa, apelando ao governo que permita a todos os lojistas dos shoppings nesta Área Metropolitana (AML) – onde se situam 35% dos centros, que asseguram 50% do emprego total gerado pelo setor – retomarem a sua atividade e alertando para o impacto dramático de um eventual prolongamento das limitações para todos os intervenientes nesta cadeia de valor.

Os lojistas têm vindo a reclamar isenção e abatimentos nas rendas, com a Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR) a defender ontem no Parlamento a repartição de custos da crise, sublinhando que durante o período de encerramento dos centro comerciais, por imposição do governo, por cada prejuízo de 175 mil euros que cada loja obteve os senhorios apenas perderam apenas mil. “Todos temos de pagar a crise, não são só os inquilinos”, lembrou Miguel Pina Martins, que lidera a associação.

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Uma funcionária da limpeza procede à higienização de um corrimão no centro comercial Norteshopping no dia da sua reabertura ao público, Matosinhos, 1 de junho de 2020.
JOSÉ COELHO/LUSA

Mas os shoppings continuam a agir isoladamente e se uns, como a Mundicenter (Amoreiras) ou a Merlin Properties (Almada Forum), admitem descontos nas rendas dos lojistas ou esqueceram o pagamento enquanto durou o fecho obrigatório, outros apenas adiaram as mensalidades. “A partir de julho, as rendas de restaurantes e lojas vão aumentar 28% e isso é um problema porque não vai haver dinheiro”, defende Pina Martins, em nome de 100 empresas com 100 mil trabalhadores.

Leia também: Lojistas pedem cortes nas rendas à medida do negócio

“À semelhança do que foi feito durante o período pré-abertura, a Ingka Centres mantém a abordagem de parceria permanente com os lojistas”, refere apenas, questionada, a gestora dos MAR Shopping. De acordo com os lojistas, este senhorio tem ajudado recebendo apenas a parte variável da renda, ou seja, o proporcional às vendas que têm conseguido.

Não há, assim, para já novidade ou política comum para as rendas a que os lojistas dos shoppings estão obrigados. Mas independentemente das rendas pagas, se a maioria dos shoppings se mantiver fechada não há negócio para ninguém. “É urgente que as limitações sejam levantadas”, defende por isso a APCC, lembrando o investimento feito na adaptação dos espaços e formação das equipas de modo a continuar a garantir a segurança de todos. “Estes espaços minimizam o risco de contágio, não o agravam, permitindo à população aceder a um conjunto significativo de bens e serviços num ambiente com acesso limitado e controlado, e onde as boas práticas dos visitantes são monitorizadas e geridas por equipas profissionais de modo a minimizar os riscos”, sublinha o presidente da associação, António Sampaio de Mattos.

“Restringir a operação dos centros comerciais situados na AML nesta terceira fase de desconfinamento foi frustrante para toda a indústria. Esta situação é extremamente preocupante e delicada para todos os intervenientes desta cadeia de valor. Os lojistas que permanecerem impedidos de abrir portas ficarão numa situação dramática”, assume ainda Sampaio de Mattos.

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