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BCE. Portugal é dos que mais beneficiam da política de juros antipandemia

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Christine Lagarde, presidente do BCE. Fotografia: EPA/FILIP SINGER

Efeito BCE. Taxas de juro a 10 anos portuguesas caíram para níveis pré-pandemia, apesar do problema sanitário não ter terminado.

As taxas de juro soberanas de Portugal (obrigações do tesouro) foram as que mais caíram depois de o Banco Central Europeu (BCE) anunciar o mega reforço no seu programa de compras de dívida, no início de junho.

Num estudo ontem divulgado (boletim económico), o banco central presidido por Christine Lagarde congratula-se com o facto de as taxas de juro de vários países da zona euro, que estavam a subir antes de o BCE intervir, terem reagido em baixa.

No entendimento da instituição sediada em Frankfurt, é mais uma prova de que a política monetária está a dar resultados positivos, ajudando os governos, as empresas e as famílias a terem financiamento mais barato e assim a lutar melhor contra a crise pandémica.

A 4 de junho, com as economias da zona euro a emitirem sinais cada vez mais preocupantes (agravamento da recessão para níveis nunca vistos desde a Grande Depressão do século passado e aumento da destruição de emprego e subida do desemprego), o conselho do BCE decidiu aumentar o poder de fogo da sua bazuca especial de combate à pandemia.

O programa de compra de ativos (grande parte deles obrigações do tesouro) no âmbito da emergência pandémica (pandemic emergency purchase programme – PEPP) foi reforçado em 600 mil milhões de euros, subindo para um total de 1350 mil milhões de euros (1,35 biliões de euros), anunciou o BCE.

“Em resposta à revisão em baixa, relacionada com a pandemia, da inflação ao longo do horizonte de projeção, a expansão do PEPP reduzirá ainda mais a restritividade da orientação geral da política monetária, apoiando as condições de financiamento na economia real, especialmente para as empresas e as famílias”, refere Frankfurt.

Ao mesmo tempo que aumentou o poder de fogo em 80% do tal envelope de 1,35 biliões de euros para compra de títulos aos bancos comerciais da zona euro, o BCE decidiu estender “o horizonte das aquisições líquidas ao abrigo do PEPP, no mínimo, até ao final de junho de 2021” e garantiu que o programa pode continuar “até considerarmos que o período de crise do coronavírus terminou”.

O Banco disse ainda que vai ficar com as obrigações no seu balanço (vai reinvesti-las) “pelo menos, até ao final de 2022”.

Alemanha e Espanha também aproveitaram

Os resultados estão à vista e são bons para os países e para as economias, argumenta a autoridade monetária.

“Inicialmente [no princípio de junho] os diferenciais de taxas de juro soberanas [face a um indicador do BCE que equivale a risco zero] aumentaram ligeiramente, mas depois começaram a descer, terminando o período em análise em níveis abaixo dos verificados no começo de junho”.

“Os diferenciais relativos às obrigações do tesouro da Alemanha, de Espanha e de Portugal diminuíram entre três e cinco centésimas de ponto percentual, ao passo que as margens das obrigações francesas e italianas apenas caíram marginalmente”.

Os valores são relativamente baixos, mas fazem diferença pois as taxas de juro, mesmo durante a pandemia, continuaram em níveis muito reduzidos numa perspetiva histórica.

Juros portugueses já estão em níveis pré-pandemia

O caso de Portugal é exemplar nesse aspeto. No dia 18 de março, quando foi declarado o estado de emergência, as taxas de juro das obrigações do tesouro a dez anos dispararam para 1,4% nos mercados secundários, mas o BCE reagiu imediatamente (nesse mesmo dia) com novas medidas que forçaram a redução dos juros daí em diante. O programa de compras pandémicas foi ativado. Inicialmente valia 750 mil milhões de euros.

No caso de Portugal, as taxas de juro a 10 anos estão hoje em níveis pré-pandemia, apesar de o problema sanitário não ter acabado e de haver fortes receios em relação a uma segunda vaga.

De acordo com um levantamento feito pelo Dinheiro Vivo, a taxa de juro das OT portuguesas estão agora nos 0,33%, o nível mais baixo desde 6 de março (nesse dia a taxa rondava 0,25%), quando ainda faltavam cinco dias para a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o estado de pandemia (quando uma epidemia afeta vários países em vários continentes).

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