Comissão Europeia

Centeno. Impacto nas contas públicas é menos negativo em Portugal que na Europa

Mário Centeno, presidente do Eurogrupo. EPA-EFE/PATRICIA DE MELO MOREIRA
Mário Centeno, presidente do Eurogrupo. EPA-EFE/PATRICIA DE MELO MOREIRA

Comissão Europeia estima que governo suporte custo de 2,5% do PIB em medidas de apoio à economia e contra o vírus. Centeno diz que na Europa é mais

O impacto da crise pandémica nas contas públicas, que a Comissão Europeia estima num valor equivalente a 2,5% do produto interno bruto (PIB), é menos penalizador do que o registado na média dos países da zona euro e da União Europeia (UE), diz o gabinete do ministro das Finanças numa nota enviada às redações.

Numa reação às previsões da primavera da Comissão Europeia (CE), divulgadas esta quarta-feira de manhã, em Bruxelas, Mário Centeno refere que estas “destacam o impacto da pandemia e das decorrentes medidas temporárias de contenção e confinamento nas contas públicas” e que “esse impacto será menos negativo em Portugal do que o estimado para a área do euro e UE”.

Como referido, a CE calcula que o apoio do governo à economia, aos rendimentos, à liquidez das empresas e ao sistema de saúde deverá ter “um custo direto” no erário público equivalente a 2,5% do produto interno bruto (PIB), o que elevará o défice público para 6,5% em 2020.

A dívida acompanha, claro, e também está a caminho de um dos maiores valores de sempre. A Comissão aponta para um fardo de 131,6% do PIB no final deste ano, o terceiro maior da Europa a seguir à Grécia (196,4% do PIB) e a Itália (158,9%).

O rácio médio da dívida na Europa ronda os 95% do PIB, diz agora a Comissão.

“Interrupção abrupta da atividade revertida no início de maio”

No entanto, Centeno está otimista. Apesar de enfrentar uma recessão que pode chegar aos 6,8% este ano e com o desemprego a caminho dos 10%, o ministro diz que “a interrupção abrupta da atividade económica em março e em abril deverá ser revertida a partir do início do mês de maio, suportada numa recuperação do mercado interno e na retoma do investimento”.

Centeno aceita que a recessão generalizada nos países da União Europeia terá “consequências socioeconómicas muito graves”.

Recorda as novas previsões de Bruxelas, sublinhando que “o PIB da área do euro deverá cair 7,7% em 2020, seguindo-se uma recuperação de 6,3% em 2021”, mas que ambas as projeções de crescimento foram revistas em baixa “em cerca de 9 pontos percentuais face às previsões económicas do outono de 2019”.

Nesse sentido, Centeno pede “eficácia da coordenação entre as medidas estratégicas adotadas a nível nacional e europeu para dar resposta à crise assume particular importância, tendo em conta a necessidade de conter o impacto económico negativo da pandemia e proporcionar uma recuperação célere e robusta” para que as economias voltem a crescer

De volta à retoma nacional, Centeno recorda “o desempenho robusto da economia portuguesa até ao final do mês de fevereiro de 2020”, que evita que a recessão prevista, até agora, seja pior que os 6,8% preconizados pela CE.

“Em 2021, a economia deverá crescer 5,8%, mantendo o PIB em níveis abaixo dos registados em 2019”. Mas “no conjunto dos dois anos, o desempenho da economia portuguesa será menos negativo do que o da média dos países da área do euro e da UE”, acena o gabinete do ministro numa nota enviada aos jornais.

“A CE prevê que a deterioração do cenário macroeconómico em Portugal assente numa contração da procura interna em 2020, quer do lado do consumo privado (apesar das medidas discricionárias e extraordinárias para preservar contratos de trabalho e rendimentos), quer do lado do investimento (devido ao contexto de incerteza e disrupções nas cadeias globais de valor)”, dizem as Finanças.

“Contudo, a CE destaca que o investimento em construção deverá ser mais resiliente, beneficiando do ciclo económico e da introdução de maior flexibilidade na utilização de fundos europeus”, remata o ministério.

(atualizado 13h30 com mais informações)

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