Contas Públicas

Centeno. Recessão e défice vão voltar e depois vai ser preciso novo “esforço”

O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP
O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP

Portugal entra em recessão, défice volta e sobe "alguns pontos". A seguir é preciso o "esforço significativo" de todos para ajustar a situação

Portugal vai entrar em recessão em 2020, o défice orçamental público vai reaparecer, devendo ser substancial, e a seguir, quando esta crise for “debelada”, vai ter de existir “um esforço significativo de todos” para voltar a por a economia e as contas públicas de pé, avisou Mário Centeno, o ministro das Finanças, numa videoconferência de imprensa sobre o reporte do défice e da dívida de 2019 divulgado esta quarta-feira de manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em 2019, o INE apurou um saldo orçamental final positivo equivalente a 0,2% do produto interno bruto (PIB), um valor inédito, o mais elevado na História democrática de Portugal.

Mas este valor durou pouco ou nada e irá diluir-se numa crise económica, eventualmente financeira e de contas públicas, de proporções raramente vistas.

Questionado pelo Dinheiro Vivo sobre os cenários que já estarão a ser feitos pelas Finanças relativos ao embate da crise do coronavírus nas contas públicas, no crescimento e na taxa de desemprego, Centeno preferiu não quantificar em concreto. Mas uma coisa é certa: vêm aí problemas graves e vai ser preciso um grande esforço conjunto para voltar ao normal.

“Os cenários que temos pela frente são cenários de paragem temporária de uma dimensão muito substancial do nosso tecido económico”, começou por responder Mário Centeno.

“Isso levará a uma redução muito acentuada da atividade económica no segundo trimestre de 2020 e nos cenários em que estamos a trabalhar numa recuperação no sentido da normalidade no resto do ano”, acrescentou.

“Nesses cenários base, estamos sempre a falar de um cenário de recessão no conjunto do ano, tal como se coloca neste momento para a generalidade dos países” e este cenário de recessão “será tão mais forte quanto mais tempo levemos a retomar as nossas atividades habituais”, referiu o ministro.

Sobre o futuro pós-crise sanitária, sobre se vai ser preciso uma nova vaga de austeridade para repor os níveis de dívida, reduzir o défice, sanear outra vez as contas públicas, questão colocada por outra jornalista, Centeno respondeu que vai ser necessário “um esforço significativo de todos os agentes económicos e devemos mobilizar as mesmas forças” que permitiram ao país corrigir desequilíbrios num passado recente.

Mais bem preparados, diz Centeno

Ao contrário do que aconteceu no passado, quando as contas estavam em desordem, o défice era enorme e a dívida continuava a subir, esse tempo já lá vai e que “o país nunca esteve tão bem preparado” para enfrentar uma crise de grandes dimensões, como esta.

Como referido, o défice público vai reaparecer. Mário Centeno apontou para “a paragem súbita da atividade económica” que terá “um impacto nas contas públicas” e este será tanto maior quanto maior for a recessão.

Centeno diz que vai deixar os estabilizadores automáticos funcionarem “livremente”, o mesmo que dizer que quanto mais cavada for esta recessão, mais despesa social será feita. Um dos estabilizadores automáticos mais conhecido e importante é o subsídio de desemprego: sempre a economia entra em dificuldades, esta despesa sobe. O ministro exemplificou com “o reforço do apoio social e dos serviços de saúde”, que já está a ser feito.

Mas em termos de impacto nas contas, “é cedo para construir cenários numericamente detalhados, mas estaremos obviamente a falar de números que podem facilmente fazer com que o saldo orçamental de 2020 se venha a deteriorar em alguns pontos percentuais do PIB”, lamentou o ministro responsável pelo primeiro excedente da democracia.

(atualizado 18h00)

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