Banco de Portugal

Dívida pública atinge recorde: 264,4 mil milhões de euros, cerca de 132% do PIB

dívida bancos banif bpn novo banco
O primeiro-ministro, António Costa (E), conversa com o ministro de Estado e das Finanças, João Leão (D), durante o debate e votação da proposta do orçamento suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 17 de junho de 2020. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O endividamento público total sobe 3% face a maio de 2019 e é agora o equivalente a 132% do PIB, também um dos rácios mais pesados de que há registo.

A dívida pública que conta para a avaliação do País à luz do Pacto de Estabilidade atingiu, em maio, o valor mais alto de sempre, cerca de 264.379 milhões de euros, revelou esta quarta-feira o Banco de Portugal.

Tal como o Dinheiro Vivo avançou esta manhã, o endividamento público total na ótica do Tratado de Maastricht sobe assim quase 3% face a maio de 2019 e é agora (final de maio) o equivalente a cerca de 132% do produto interno bruto (PIB), assumindo o PIB nominal projetado pela Comissão Europeia.

Ou seja, é também um dos rácios mais pesados de que há registo e está a apenas 0,9 pontos percentuais do recorde histórico anual alcançado em 2014 (132,9% do PIB), o último ano do programa de ajustamento da troika.

Segundo a nossa notícia, o peso da dívida pública em relação ao produto interno bruto (PIB) iria subir para o valor mais elevado de que há registo já em maio ou junho, seis meses antes do previsto.

E que o Banco de Portugal revelaria, esta quarta-feira, o valor para a dívida pública total consolidada na ótica de Maastricht (que vale para a avaliação de Bruxelas à luz do Pacto de Estabilidade) e que este deveria superar 260 mil milhões de euros (que é o valor da dívida do Estado), chegando eventualmente a 264 mil milhões de euros (somando a dívida dos setores regional e local).

Mas a carga do endividamento vai, quase de certeza, piorar já que todas as instituições que fazem previsões para a economia portuguesa apontam para rácios na ordem dos 134% ou 135% do PIB no final deste ano. No Orçamento do Estado retificativo (ou suplementar), o governo inscreveu uma previsão de 134,4% para este ano.

Este último valor é um máximo histórico e é assumido pela equipa de João Leão, mas outras entidades dizem que vai ser ainda maior.

No início de junho, o Conselho das Finanças Públicas projetou um rácio de 133,1% do PIB e a OCDE já antecipa um peso de 135,9% para a dívida total.

Fonte: Comissão Europeia, Banco de Portugal e cálculos DV

Fonte: Comissão Europeia, Banco de Portugal e cálculos DV

Segundo o Banco de Portugal, “em maio de 2020, a dívida pública situou-se em 264,4 mil milhões de euros, aumentando 2,3 mil milhões de euros relativamente ao mês anterior”.

“Para este aumento contribuíram essencialmente as emissões de títulos de 2,3 mil milhões de euros efetuadas em maio, principalmente as emissões de longo prazo”. O mesmo que dizer emissões de Obrigações do Tesouro.

A almofada de liquidez pública também aumentou e assim deverá continuar no resto do ano. “Os ativos em depósitos das administrações públicas aumentaram 0,1 mil milhões de euros” e assim “a dívida pública líquida de depósitos aumentou 2,2 mil milhões de euros em relação ao mês anterior, totalizando 239,2 mil milhões de euros”, revela o banco central ainda liderado por Carlos Costa, mas que, em princípio, vai passar a ser governado por Mário Centeno ainda este mês.

Fonte: Banco de Portugal

Fonte: Banco de Portugal

(atualizado às 12h35)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Paschal Donohoe

Sucessor de Centeno: Irlandês Donohoe surpreende e bate espanhola Calviño

O Ministro das Finanças, João Leão. EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Défice de 2020 vai ser revisto para 7%. Agrava previsão em 0,7 pontos

Comissário Europeu Valdis Dombrovskis. Foto: STEPHANIE LECOCQ / POOL / AFP)

Bruxelas acredita que apoio a empresas saudáveis estará disponível já este ano

Dívida pública atinge recorde: 264,4 mil milhões de euros, cerca de 132% do PIB