Crise política

Mário Centeno continua no Governo

Mário Centeno


TIAGO PETINGA/LUSA
Mário Centeno TIAGO PETINGA/LUSA

Ministro das Finanças foi a São Bento clarificar assuntos com o primeiro-ministro depois de um dia em que Centeno esteve debaixo de fogo.

Mário Centeno vai continuar na pasta das Finanças, pelo menos para já. As “falhas de comunicação” sobre a injeção de dinheiro para o Novo Banco foram ultrapassadas, de acordo com um comunicado do gabinete do primeiro-ministro.

“Ficaram esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou”, indica a nota divulgada esta quarta-feira ao final da noite.

“O primeiro-ministro reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política no ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno“, conclui o comunicado.

António Costa e Mário Centeno saíram juntos da residência oficial do primeiro-ministro, depois de uma reunião ao início da noite desta quarta-feira que não estava na agenda oficial e na véspera do debate do Programa de Estabilidade. Um comunicado oficial sobre um encontro deste tipo é algo inédito.

O encontro, que terminou com sorrisos, aconteceu depois de um dia em que Centeno ficou debaixo de fogo por causa da transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco, que o primeiro-ministro desconhecia. Para já, o ministro das Finanças fica no Executivo.

O Novo Banco, o banco menos péssimo, na aceção das Finanças, continua a guardar muitas das heranças ruinosas do BES, o banco péssimo, como foi qualificado, outra vez, por Ricardo Mourinho Félix, esta quarta-feira, no Parlamento.

A nota do gabinete de António Costa indica que a reunião desta quarta-feira decorreu “no quadro da preparação da próxima reunião do Eurogrupo, que terá lugar sexta-feira, e da definição do calendário de elaboração do Orçamento Suplementar que o Governo apresentará à Assembleia da República durante o mês de junho”.

O comunicado sublinha ainda que “ficou confirmado que as contas do Novo Banco relativas ao exercício de 2019, para além da supervisão do Banco Central Europeu, foram ainda auditadas previamente à concessão deste empréstimo” e que “este processo de apreciação das contas do exercício de 2019, não compromete a conclusão prevista para julho da auditoria em curso a cargo da Deloitte e relativa ao exercício de 2018”, conclui o comunicado.

SURE, que devia aguentar despesa com lay-off, ainda não apareceu

Tudo isto acontece numa altura em que Centeno também está a ser visto como um obstáculo enorme ao prolongamento do lay-off (o regime atual é para três meses, mas as empresas dizem que precisam de mais, um prolongamento por mais três meses, seis no total, no mínimo).

Centeno defende nos círculos mais internos que pode não haver dinheiro suficiente para financiar o lay-off simplificado, uma medida que, segundo o Ministério das Finanças (Programa de Estabilidade), pode custar mais de 500 milhões de euros por mês, quase 600 milhões.

Razão: o SURE (o fundo europeu especial e temporário, no valor de 100 mil milhões de euros, que iria ajudar a pagar já o lay-off nos vários países da União Europeia), só deve estar pronto em setembro, na melhor das hipóteses.

Os patrões estão especialmente desagradados e inquietos com este impasse.

Entretanto, o Presidente da República pôs-se em campo e veio criticar Centeno, acelerando a crise política que já estava a fermentar.

E, ato contínuo, o primeiro-ministro, António Costa, acabou por endossar a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência, na Autoeuropa, em Palmela, um dos campeões empresariais em Portugal.

(Notícia atualizada às 23h45 com mais informação)

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