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Tesouro acelera financiamento. E quer lançar obrigações panda e dívida verde

Mário Centeno, ministro das Finanças. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Mário Centeno, ministro das Finanças. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Portugal financiou-se esta quarta-feira em 950 milhões de euros. Já foi buscar ao mercado mais de 85% do objetivo do ano.

O Tesouro está a executar o plano de financiamento a um ritmo rápido. Mas apesar do valor a ir buscar ao mercados estar quase a atingir a meta anual, o governo quer lançar novos tipos de dívida para diversificar a base de investidores.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, revelou esta quarta-feira numa audição parlamentar que a emissão de obrigações panda (dívida em moeda chinesa) “está já em fase de finalização”. E apontou que se está a olhar com atenção para o mercado de dívida verde, que tem sido cada vez mais utilizado por soberanos.

A intenção de aceder ao mercado chinês para encontrar financiamento vem já do ano passado. O Tesouro tinha a intenção de fazer uma primeira emissão de cerca de 380 milhões de euros, noticiou a Reuters na altura.

Nos últimos tempos as autoridades chinesas têm tentado simplificar as regras para a emissão de dívida em yuans por parte de entidades estrangeiras. O mercado chinês tem atraído o interesse de entidades estrangeiras para se financiarem, mas a complexidade dessa operação tem dificultado um crescimento acentuado das emissões em yuans.

Segundo os dados mais recentes da Reuters, o mercado de dívida em moeda chinesa vale 11 biliões de dólares (9,4 biliões de euros). E apenas 24 mil milhões de dólares dizem respeito a entidades internacionais que vão ao mercado chinês para se financiar.

Dívida verde também é opção

Mário Centeno apontou ainda a possibilidade de se avançar para uma emissão de obrigações verdes. O recurso a esse instrumento já tinha sido sinalizado pelo Tesouro. Esse tipo de dívida tem de ser alocada a projetos que contribuam para a sustentabilidade ambiental. E atrai principalmente investidores que se regem por estratégias sustentáveis, um tipo de investimento que tem visto crescer o valor sob gestão.

Os soberanos têm também tentado financiar-se com recurso a obrigações verdes. Houve já sete países que se financiaram num total de 25 mil milhões de dólares (21 mil milhões de euros) através desse tipo de dívida , segundo dados divulgados esta semana pela agência Moody’s. No grupo de países que recorreu a essas obrigações estão a França, Bélgica, Polónia, Lituânia, Indonésia, Nigéria e Fiji.

Rahul Ghosh, analista da agência, disse numa nota que “a emissão de obrigações verdes dá um forte sinal do compromisso dos governos com as agendas políticas para o clima e ambiental e de como pensam garantir capital para implementar os seus compromissos com o Acordo de Paris”.

No caso da Bélgica, por exemplo, as emissões em dívida verde vão servir para financiar projetos relacionados com a eficiência energética, transportes não-poluentes, energia renovável, economia circular e de preservação da biodiversidade. O dinheiro angariado servirá para investimento ou para conceder incentivos fiscais.

Os analistas têm salientado que recorrer a este tipo de instrumentos pode ajudar o Estado a diversificar a base de investidores e mesmo a conseguir taxas mais baixas. Mas salientam que fazer uma emissão deste tipo também tem custos.

Portugal acelera plano de financiamento

Apesar da aposta de Mário Centeno em diversificar as fontes de financiamento, o Tesouro está a executar o plano de financiamento a um ritmo elevado. Esta quarta-feira, o Estado foi novamente ao mercado para se financiar em 950 milhões em Obrigações do Tesouro a 10 e a 16 anos.

Com esta emissão o Tesouro eleva para cerca de 13 mil milhões de euros o valor obtido em Obrigações do Tesouro, a principal fonte de financiamento do Estado. Ultrapassa 85% do objetivo para a totalidade do ano, que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) estima ser de 15 mil milhões de euros.

Além do recurso ao mercado, o Tesouro está também a obter financiamento junto das famílias portuguesas. Além dos Certificados de Aforro e dos Certificados do Tesouro, o IGCP lançou uma nova oferta de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável, destinada a investidores de retalho. Apesar do juro mínimo ser de 1%, o mais baixo de todas as emissões deste tipo, a procura elevada levou o IGCP a duplicar o montante em oferta para mil milhões de euros.

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