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Eles estão aí. O que muda na conta da luz com os contadores inteligentes?

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A EDP Distribuição garante que o consumo de eletricidade não aumenta e a fatura também não. A Deco diz que falta informação.

A meta é ambiciosa: até 2022, a EDP Distribuição quer que 100% dos consumidores de eletricidade – mais de 6 milhões de portugueses – tenham contadores inteligentes, estando a instalar uma média de 10 mil destes aparelhos por semana. “Nesta altura já estão instalados 1,3 milhões de novos contadores em todo o país”, assegurou o presidente da EDP Distribuição, João Torres, num investimento que ronda os 35 milhões de euros.

Se ainda tem um contador dos antigos, ou seja, eletromecânico e analógico, o mais provável é que receba em breve uma carta da EDP Distribuição a informar: “Chegou a sua casa. Este equipamento é muito mais do que um contador de eletricidade.” Independentemente do comercializador de eletricidade contratado (EDP Comercial, Endesa, Iberdrola, entre outros), a mudança para um contador inteligente (estático e digital) é inevitável e não pode ser recusada, diz a empresa.

Aliás, mesmo que não esteja em casa, os técnicos têm acesso ao contador (no exterior da habitação) e levam a cabo a troca. Diz a EDP Distribuição que “é sempre vantajoso estar presente para perceber as diferenças de funcionamento do novo equipamento face ao atual”. Mas atenção: não é cobrado dinheiro pela substituição do contador. Se isto acontecer, é uma burla, avisa a empresa.

Com o novo contador já instalado, a EDP Distribuição envia um sms a avisar que o equipamento já está a comunicar remotamente e que as leituras serão recolhidas automaticamente. A partir desse minuto, a faturação passa a ser feita com base no consumo real (enviado todos os meses, em vez de a cada trimestre) e não em estimativas, como até agora.

“O equipamento permite ao cliente ter acesso, em tempo real, à informação sobre quando, como e onde gasta energia elétrica”, diz a EDP Distribuição, notando a “eliminação da incerteza e do erro na faturação”. Da mesma forma, qualquer alteração de potência, de ciclo horário ou de tarifa passa a ser feita à distância.

“As pessoas não gostam de estimativas, gostam de informação real, de pagar o que realmente gastam. Mas fica ainda por saber como vão reagir a um aumento significativo do consumo de eletricidade e da fatura durante o inverno, por exemplo”, disse Aires Messias, diretor da área InovGrid, ao Dinheiro Vivo.

Por se tratar de uma nova tecnologia, surgem as dúvidas: Os contadores inteligentes fazem aumentar a fatura? Obrigam a contratar uma potência superior? A estas questões a EDP Distribuição responde não, garantindo que os equipamentos são certificados e aprovados pela ERSE. No entanto, os consumidores têm feito chegar inúmeras reclamações à Deco e ao Portal da Queixa.

De acordo com fonte oficial da Deco, existe ainda muita falta de informação quanto aos novos contadores. Prova disso são as reclamações registadas na plataforma Reclamar da Deco, muitas delas relacionadas com faturação excessiva e quebras de energia recorrentes. No Portal da Queixa repete-se o mesmo cenário, dizem os responsáveis desta rede social de consumidores, com reclamações relativas à qualidade do serviço e aos valores finais nas faturas, que dispararam comparativamente aos meses anteriores.

Neste contexto, a ERSE fará este ano uma nova auditoria aos contadores inteligentes. Em 2012, o regulador identificou anomalias em vários destes aparelhos e ditou a devolução de 11 milhões de euros aos consumidores afetados.

Face às críticas à falta de fiabilidade da tecnologia que assegura a comunicação entre os contadores inteligentes e os postos de transformação, via rede elétrica, a EDP Distribuição já admitiu as falhas. “Se me pergunta se funciona a 100%, a resposta é não. Em alguns casos temos GPRS, com cartões SIM dos telemóveis nos contadores”, explicou João Torres, sublinhando que é uma solução mais cara.

A distribuidora de eletricidade tem agora um novo contador de última geração (na foto), 100% português, cujas comunicações são feitas com base na rede móvel 4.5G da operadora de telecomunicações NOS. Em Lisboa, são já cem os contadores que comunicam através de redes móveis a funcionar em clientes finais.

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