Energia

REN investe 500 milhões de euros até 2021

Rodrigo Costa, CEO da REN Fotografia: MÁRIO CRUZ/LUSA
Rodrigo Costa, CEO da REN Fotografia: MÁRIO CRUZ/LUSA

Entre 2015 e 2017, a REN registou um investimento total de cerca de 560 milhões de euros.

A REN – Redes Energéticas Nacionais quer investir mais de 500 milhões na sua rede em Portugal até 2021. O anúncio foi feito hoje pela empresa no seu Capital Markets Day em Lisboa. Isto significa, no entanto, que a empresa vai investir menos nos próximos anos, caindo de uma média anual de 190 milhões para um mínimo de 120 milhões, ou seja, uma queda de até 70 milhões no investimento anual nos próximos anos. Entre 2015 e 2017, a REN registou um investimento total de cerca de 560 milhões de euros.

Rodrigo Costa, presidente executivo da REN, deu o pontapé de saída na apresentação do plano estratégico aos investidores e analistas com uma crítica ao Governo sobre a manutenção da Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético (CESE), anos após ano. “A CESE está em vigor há quatro anos e representa cerca de 25% dos resultados da REN.

Decidimos pagar mas estão a contestar em tribunal Não queremos estar sempre em conflito”, disse o CEO, acrescentado, em tom de desabafo: ” Queixo-me da CESE sempre que falo com o Governo. Com um valor de cerca de 750 milhões de euros, somos bons pagadores de impostos. Pagamos demais”.

Rodrigo Costa disse ainda que não tem para já “expectativas em termos do prazo da decisão” do tribunal. “Pode demorar poucos meses ou muitos meses. Esperamos ter a decisão no espaço de meses, talvez quatro ou cinco, mas pode ser mais”.

Depois de uma média de investimento anual na ordem dos 190 milhões de euros, entre 2015 e 2017, a REN prevê agora descer o seu investimento anual para um patamar entre os 120 e os 145 milhões entre 2018 e 2021, dos quais entre 90 e 110 milhões na rede elétrica (50 a 70 milhões na sua expansão e apenas 40 milhões na substituição), e entre 20 e 25 milhões na distribuição de gás.

De acordo João Faria Conceição, administrador executivo da REN, com este desinvestimento “não é uma surpresa”, disse no evento Capital Markets Day, que teve lugar no hotel Ritz. “Tentámos ser razoáveis”, acrescentou ainda.

“O investimento na substituição de linhas elétricas está a tornar-se cada vez mais importante, representando 35 a 45% do investimento na eletricidade Isto significa que, com este investimento médio estamos abaixo da nossa depreciação anual. Quanto ao investimento na expansão da rede, ainda está dependente da atribuição de licenças, o que nos últimos anos se tornou mais difícil”, salientou Faria Conceição, sublinhando: “Não faz sentidos investir em novas centrais renováveis se não há ligações à rede. Temos de desenvolver a rede para integrar estas novas fontes”.

Entre os novos projetos da REN encontra-se a interligação elétrica a Marrocos, novas linhas elétricas subterrâneas em Lisboa e no Porto, além das linhas elétricas entre Ponte de Lima e Famalicão, Vieira do Minho e Ribeira de Pena-Feira, e os eixos Fundão-Falagueira e Falagueira-Estremoz-Divor-Pegões. Soma-se ainda um projeto de armazenamento subterrâneo de gás natural.

Dos planos até 2021 faz também parte a consolidação da Portgás, neste momento a segunda maior empresa de distribuição de gás em Portugal, frisou a REN. “Consolidação não significa integração total, porque esta área de mercado tem de estar separada. Mas a Portgás vai ser um motor de expansão. Tem potencial de crescimento”, disse ainda o administrador.

De acordo com o plano estratégico 2018-2021 da REN, aos 500 milhões de investimento na rede somam-se ainda mais 400 milhões em “oportunidades adicionais de crescimento”, ou seja, investimentos não orgânicos, tais como foram a compra da posição de 42,5% da Electrogas (169 milhões de euros) e da totalidade da EDP Gás (Portgás – 530 milhões de euros), num total de 769 milhões entre 2015 e 2016. Também aqui, o investimento da REN será inferior aos anos anteriores.

De acordo com a empresa, o seu plano estratégico para o período de 2018 a 2021 assenta em três pilares: “consolidar o seu core business e manter a excelência operacional que caracteriza a operação da empresa; manter um crescimento disciplinado; e assegurar um desempenho financeiro sólido”.

“Estes três pilares serão materializados num plano de negócio consistente com os seguintes
objetivos: atingir um EBITDA anual entre os 475 e os 500 milhões de euros e resultados líquidos anuais entre os 110 e os 115 milhões de euros; manter a dívida líquida entre os 2.700 e os 2.900 milhões; assegurar um rating investment grade e uma política de dividendos sustentável, mantendo o dividendo anual nos níveis atuais”, explicou a REN em comunicado. Até 2021 a REN planeia assim manter inalterado o dividendo pago aos acionistas no patamar dos 17,1 cêntimos por ação.

A REN acrescentou também que a operação nacional continua a ser a prioridade da empresa, com previsão de um nível de investimento entre os 120 e 145 milhões de euros por ano, “dando resposta às necessidades dos Sistemas Nacionais de Eletricidade e de Gás Natural, bem como à atividade da Portgás, em cumprimento com as obrigações das respetivas concessões”.

Em relação a investimentos não orgânicos, a REN prevê investir até 2021 e de forma disciplinada, um valor máximo de 400 milhões de euros, tendo Portugal como prioridade. “Estes investimentos permitem manter estável a base de ativos da empresa”, explicam.

Por fim, em relação à operação internacional, a REN prevê no período em causa um retorno sustentável dos seus investimentos.

Um dia antes da apresentação do seu plano estratégico para os próximos anos, a REN anunciou que os lucros caíram 3%, para 13,1 milhões de euros, no primeiro trimestre do ano face ao período homólogo, justificado pelo aumento do valor das amortizações e da manutenção da contribuição sobre o setor energético (CESE).

Em comunicado ao mercado, a REN – Redes Energéticas Nacionais justificou a redução do resultado líquido com amortizações, evolução do resultado financeiro e a manutenção do reconhecimento do imposto extraordinário sobre o setor energético, que no presente ano ascende a 25,3 milhões de euros.

No primeiro trimestre, o EBITDA (juros, impostos, depreciação e amortização) melhorou em 3,8% para 128,4 milhões de euros, beneficiando do impacto da recente aquisição da Portgás. Já o investimento no período subiu 5,2% para cerca de 14 milhões de euros, tendo a Portgás contribuído com perto de quatro milhões de euros.

 

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