entrevista

Philippe Legrain. “Imigração pode impulsionar o PIB em 2%”

Batalha, 02/05/2018. Família de refugiados iraquianos. A integração de uma família de nove refugiados que chegou há dois anos a São Mamede e que já teve um criança a nascer em Portugal
Liliana Ribeiro, assistente social brinca com Adam 
(Henriques da Cunha / Global Imagens)
Batalha, 02/05/2018. Família de refugiados iraquianos. A integração de uma família de nove refugiados que chegou há dois anos a São Mamede e que já teve um criança a nascer em Portugal Liliana Ribeiro, assistente social brinca com Adam (Henriques da Cunha / Global Imagens)

Philippe Legrain foi conselheiro económico de Durão Barroso, na Comissão Europeia e é professor convidado do London School of Economics. É autor dos livros Immigrants e Primavera Europeia.

É possível medir o impacto económico da imigração?

Nada pode ser medido na perfeição, mas há estudos que nos dão uma boa ideia do seu impacto económico. Por exemplo, um aumento de 1% de imigrantes na população tende a impulsionar o PIB per capita em 2% a longo prazo. Porquê? Porque a imigração aumenta a diversidade de competências, e também porque os imigrantes tendem a ser jovens trabalhadores, um grande benefício para os países com população idosa.

Como responde aos céticos?

Alguns são simplesmente racistas e xenófobos, e por isso temos de continuar as campanhas para persuadir as pessoas de que todos têm igual valor. Outros culpam os imigrantes por todo o tipo de problemas: perda de empregos, aumento da pressão sobre os serviços públicos, a miséria que tem sido criada pelas crises financeiras. Não basta salientar que os imigrantes não são culpados por todas essas coisas. É preciso responder às legítimas necessidades e problemas das populações.

Que países, na Europa, seriam os mais beneficiados?

Ironicamente – tendo em conta o brexit – a Grã-Bretanha é um dos maiores beneficiários da imigração: tem recebido pessoas muito trabalhadoras e talentosas de toda a UE. Em contrapartida, a Grécia recebeu muitos requerentes de asilo e imigrantes que teriam muito potencial para contribuir para a Europa, se pudesse deslocar-se e trabalhar em outros países.

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