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Sonangol apresenta “Programa de Regeneração” e sai da Unitel até fim de 2019

A empresária Isabel dos Santos, através da participação na Vidatel, é a presidente do conselho de administração da operadora. (FOTO: DR)
A empresária Isabel dos Santos, através da participação na Vidatel, é a presidente do conselho de administração da operadora. (FOTO: DR)

O "Programa de Regeneração" prevê a privatização parcial da Sonangol a partir do segundo semestre de 2019.

De acordo com as edições online dos jornais angolanos Mercado e Novo Jornal, a petrolífera Sonangol pretende vender a participação de 25% que detém na Unitel, a operadora de telecomunicações de Isabel dos Santos, anunciou esta quinta-feira em Luanda o presidente do conselho de administração Carlos Saturnino, numa conferência de imprensa após a apresentação do “Programa de Regeneração”. Este programa prevê a privatização parcial da Sonangol a partir do segundo semestre de 2019.

“A Sonangol pretende alienar a participação na Unitel”, disse o responsável, citado por ambos os meios de comunicação, que avançam também que outras 51 empresas do grupo estão na lista de alienações até dezembro de 2019. A Sonangol vai assim vender a sua participação na Unitel, detida em 25% por Isabel dos Santos. “Até dezembro de 2019, período que o governo definiu para se fazer a alienação de ativos, ou seja das 52 empresas que fazem parte da lista já definida entretanto. Exemplo: A Sonangol pretende vender a sua participação na Unitel”, disse Saturnino citado pelo Novo Jornal.

Além disso, admitiu também a possibilidade de a empresa alienar parte das suas 19 subsidiárias, porque “muitas delas têm custos muito grandes” e, sem avançar números, referiu que decorre uma “reanálise das ações” de cada uma delas. Citado pela Lusa, Carlos Saturnino disse que a empresa pondera igualmente “alienar algumas percentagens nas concessões petrolíferas”.

De acordo com o presidente do conselho de administração da Sonangol, uma parte das subsidiárias da petrolífera tem hoje faturação, mas também tem custos muito grandes, o que “naturalmente não liberta rentabilidade suficiente, ou que devia acontecer”. Saturnino realçou que “parte das subsidiárias tem uma grande ineficiência”. “Vamos reanalisar cada uma delas em separado e, depois, em conjunto. Ou seja, estamos a olhar para a atividade que é necessário realizar e como poderá tornar-se uma mais-valia para o grupo. Daí que tenhamos de emagrecer as subsidiárias”, explicou.

Carlos Saturnino deu como exemplo o caso da empresa MS Telecom, do grupo Sonangol.

“Questionamos se uma empresa petrolífera precisa de ter uma empresa de telecomunicações ou se é um serviço que precisamos de comprar? Por isso, vai haver vai haver um emagrecimento real e importante nas subsidiárias”, assegurou.

O presidente do conselho de administração da Sonangol deu a conhecer igualmente que, “nos últimos três anos”, a petrolífera estatal angolana “deixou de cumprir regularmente com as suas obrigações financeira nas concessões petrolíferas”.

“Desde novembro do ano passado que fomos obrigados a fazer uma série de acordos, a pagar uma parte dos compromissos financeiros em kwanzas, divisas, utilizar uma parte do petróleo que serve para recuperação dos custos e utilizar para ir amortizando esta dívida”, referiu, sem adiantar valores.

Na sua intervenção, Carlos Saturnino adiantou também que, nas decisões tomadas pela administração da empresa, ficou igualmente definida a estratégia de atribuir “uma percentagem média para cada uma das concessões petrolíferas”.

“Vamos alienar uma parte que nos permite obter dinheiro fresco para fazer face a esses compromissos financeiros nas concessões petrolíferas prioritárias, mas também aos compromissos com toda a reorganização do grupo Sonangol com este Programa”, assegurou.

A apresentação do “Programa de Regeneração” da Sonangol surge três meses após o Presidente angolano, João Lourenço, ter aprovado a reestruturação para a ajustar à nova organização do setor dos petróleos em Angola. A 15 de agosto, João Lourenço decretou a criação da Agência Nacional de Petróleos e Gás (ANPG), pondo assim termo ao monopólio da empresa petrolífera angolana Sonangol, cujo objetivo passa a focar-se unicamente no setor dos hidrocarbonetos.

A 26 de agosto, João Lourenço aprovou o programa de reestruturação da petrolífera estatal angolana, explicando que a medida se destina também a encontrar soluções capazes de contribuírem para a sustentabilidade da indústria petrolífera em Angola, centrando-a no seu foco principal.

Com Lusa

 

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