Angola

Exportações para Angola encolhem para metade em quatro anos

João Lourenço, Presidente da República de Angola. Fotografia: REUTERS/Kenny Katombe
João Lourenço, Presidente da República de Angola. Fotografia: REUTERS/Kenny Katombe

Exportações portuguesas para Angola arrefeceram. João Lourenço quer atrair investimento. Mas diz dispensar comerciantes.

O presidente de Angola, João Lourenço, faz a primeira visita oficial a Portugal numa altura em que as exportações para Angola arrefecem e em que o problema das dívidas a empresas nacionais continua por resolver.

O país africano foi uma das grandes apostas dos empresários durante a crise em Portugal. Mas nos últimos quatro anos as exportações para Angola caíram para metade. Um reflexo da crise na economia angolana e do “irritante” arrefecimento das relações com Portugal.

Nos primeiros nove meses do ano, Portugal fez exportações de mais de 1,1 mil milhões de euros para Angola, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE). No mesmo período de 2014, esse valor tinha superado os 2,2 mil milhões.

Nesse ano, Portugal perdeu para a China o estatuto de principal fornecedor de Angola, de acordo com informações da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Em 2014, Angola valia mais de 6% das exportações nacionais. Agora representam pouco mais de 2,5%.

Crise e dívidas

Mas não foram apenas as compras a Portugal a baixarem nos últimos anos. A recessão económica provocada pela queda dos preços do petróleo, a desvalorização do kwanza, a queda das reservas e a dificuldade em obter dólares e euros afundaram as importações angolanas.

Esses fatores agravaram ainda mais os problemas de pagamentos a empresas portuguesas e dificultaram a saída de dinheiro do país. Isso levou a que o número de empresas que vende em Angola baixasse em mais de três mil entre 2012 e 2016. E um terço dos trabalhadores portugueses em Angola terá regressado a Portugal, segundo informações recolhidas pela Lusa junto de responsáveis dos dois países.

No entanto, a visita de João Lourenço poderá marcar o que empresários e governos esperam que seja um novo ciclo nas relações entre Portugal e Angola. As autoridades angolanas têm dado sinais de que têm vontade de resolver o problema das dívidas.

O ministro das Finanças do país, Archer Mangueira, tinha revelado numa entrevista ao Dinheiro Vivo/Plataforma este fim de semana que foram certificadas dívidas de 200 milhões de euros a empresas portuguesas. Disse que 40% desse valor tinha sido já regularizado. E garantiu que “estamos todos empenhados, o Estado angolano, o Estado português e as empresas envolvidas, em contratualizar a regularização dos restantes 60% ainda este ano”.

A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas disse, citada pela Lusa, que isso é um sinal “muito positivo”.Mas que o valor da dívida não estará ainda totalmente apurado.

Saúde, educação e investimento

Na visita a Portugal, que decorre entre hoje e sábado, João Lourenço tem como objetivo atrair investimento para Angola. Disse, numa entrevista ao Expresso, querer “investidores” e não “comerciantes que queiram apenas vender coisas em Angola”.

O presidente angolano estabeleceu ainda como prioridade conseguir cativar técnicos portugueses da Educação e Saúde a irem trabalhar para Angola.

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