Energia

Almaraz não fecha em 2024, mas sim em 2030. Espanha chega a acordo com elétricas

Central Nuclear de Almaraz. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
Central Nuclear de Almaraz. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

O governo espanhol chegou a acordo com as principais empresas elétricas para um encerramento ordenado das centrais nucleares entre 2025 e 2035.

A central nuclear de Almaraz, situada em Espanha a cerca de 100 km da fronteira portuguesa, numa das margens do rio Tejo, vai ter o seu fecho adiado, pelo menos, mais seis anos, de 2024 para 2030, noticia hoje o jornal Cinco Días. De acordo com fontes conhecedoras do processo, citadas pelo jornal, o governo espanhol chegou a acordo com as principais empresas elétricas para um encerramento ordenado das centrais nucleares entre 2025 e 2035.

A ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, e os executivos de topo da Endesa, Iberdrola e Naturgy chegaram ontem a um acordo, após longas e difíceis negociações, que permite que as centrais trabalhem no mínimo 40 anos e no máximo 50 anos. O mesmo tratado prevê que Aklmaraz possa funcional, pelo menos “mais seis anos”.

Em novembro, o governo espanhol tinha dado conta da vontade de encerrar Almaraz até julho de 2024, quando cumprisse 40 anos de atividade. Em todo o país, os sete reatores ainda a funcionar seriam então desligados entre 2023 e 2028. O secretário de Estado da Energia espanhol, José Domínguez, disse mesmo Madrid não prorrogaria as licenças para as centrais nucleares, o que agora cai por terra. O responsável governamental tinha já avançado uma negociação do encerramento com as empresas que exploram as centrais de forma escalonada, “com garantias para os posteriores desmantelamentos”.

Diversos grupos de defesa do ambiente em Portugal e Espanha têm contestado a continuação do período de vida da central para além do termo da autorização em vigor. O Governo português tem manifestado o seu desagrado com a produção de eletricidade através da energia nuclear, mas Lisboa defende que Madrid é soberana para decidir a forma de produzir energia elétrica no seu país.

No encontro com Teresa Ribera estiveram os responsáveis máximos das empresas que detêm Almaraz: o presidente da Iberdrola, Ignacio Sánchez Galán; o conselheiro delegado da Endesa, José Bogas; e o presidente da Naturgy, Francisco Reynés. Do mesmo resultou um princípio de acordo para que as centrais nucleares espanholas funcionem entre 40 e 50 anos, ou seja, nenhuma fechará antes de 2025 e depois de 2035. Esta será a data limite para o “apagão” nuclear em Espanha, diz o Cinco Días.

De acordo com a ministra trata-se de um plano de encerramentos “realista e pragmático”, que responderá “a critérios objetivos” (tecnológicos, anos de vida útil, etc.), segundo as empresas proprietárias. Na prática, uma central poderia fechar aos 43 anos de vida útil, outra aos 45 ou mesmo aos 47.

Almaraz é a mais antiga central nuclear espanhola, com uma licença de exploração que termina em 2020. Os donos da central já tinham avisado que até 31 de março deste ano iriam solicitar uma extensão do funcionamento da mesma. Iberdrola e Naturgy, com 53% e 11%, respetivamente, do capital da central localizada em Cáceres, propunham o seu encerramento quando cumprisse 40 anos de vida útil, ou seja, em 2023/2024, enquanto a Endesa, con 36%, quer uma extensão até a central chegar aos 50 anos.

O governo espanhol terá de mudar a regulação para que as decisões acerca das centrais nucleares exijam apenas uma maioria simples e não um voto por unanimidade. Todas as empresas concordaram que o processo deveria ser tutelado por Madrid e pela Empresa Nacional de Resíduos Radioactivos (Enresa).

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