Energia

Eólicas. Finerge garante financiamento de mais 700 milhões de euros

Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

A empresa explora 43 centrais eólicas, com uma capacidade instalada de 908,1 MW, produzindo cerca de 2,12 TW/h por ano.

Apesar de Pedro Norton de Matos, CEO da Finerge, a segunda maior operadora em eólicas em Portugal, com mais de mil milhões investidos no país, ter alertado recentemente para o perigo dos investidores internacionais fugirem de Portugal na sequência do relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas de energia, a empresa anunciou esta segunda-feira que acaba de “assinar um acordo com 12 instituições de dimensão mundial, com vista ao financiamento do grupo. Os mais de 700 milhões de euros assegurados nesta operação, irão permitir acelerar o crescimento da Finerge, em Portugal e no estrangeiro”, informou a empresa em comunicado.

A empresa fatura anualmente mais de 170 milhões de euros, com um investimento de mais de 1,2 mil milhões de euros, em Portugal.

“Esta plataforma financeira, agora constituída, agrega sob um único acordo, as vantagens e a flexibilidade de diferentes modalidades financeiras como: empréstimos de longo prazo, emissão de títulos, project finance estruturado. As instituições financeiras que estão a apoiar esta operação são: ING, Santander, DWS, BNP Paribas, IFM Investors Pty, BBVA, Novo Banco, KommunalKredit, Generali, Schroders, SMBC, Bankinter”, explica o documento.

Com este acordo, a Finerge assegurou um financiamento de 706 milhões de euros e mais 92 milhões de euros em linhas de crédito. De acordo com a operadora de energia eólica, “esta operação de financiamento, com uma estrutura inovadora, é a maior alguma vez montada na Europa destinada a uma plataforma eólica onshore”.

“O acordo responde aos objetivos ambiciosos de crescimento da Finerge e demonstra a confiança que as instituições financeiras têm no business plan da empresa. O perfil de risco do grupo, a qualidade da equipa e dos ativos existentes, a capacidade demonstrada na seleção e a gestão de novas oportunidades, mereceu uma consideração positiva do mercado e conseguimos que financiadores com perfis muito diferentes e provenientes de diversos países, se juntassem ao projeto”, disse Pedro Norton, CEO da Finerge, no mesmo comunicado, acrescentando que “a plataforma não só aumenta a maturidade da dívida em condições mais favoráveis, como foi desenhada para providenciar a flexibilidade necessária para suportar os investimentos do grupo em aquisições e no desenvolvimento de novos projetos em Portugal e por toda a União Europeia”.

O empréstimo cumpre os critérios inscritos nos Green Loan Principles 2018, e foi certificado como “Empréstimo Verde”, em conformidade com a política de sustentabilidade do grupo.

Numa intervenção recente na conferência “O Desafio da Transição Energética”, que decorreu em Lisboa, o CEO da Finerge lembrou que há dois anos a maior parte dos projetos eólicos quase entrou em default, à conta de tentações de mudar retroativamente regras estabelecidas. “Se isso tivesse acontecido, os investidores que queremos ver a entrar nos leilões de junho tinham todos desaparecido. Boa parte dos financiadores – grandes bancos internacionais – também teria deixado de nos apoiar. Esta vontade masoquista de estar sempre a questionar o passado é a pior maneira possível de discutir metas para o futuro. Espanha, por exemplo, atravessou um deserto de investimento de seis ou sete anos por ter caído na tentação de reverter leis.”

Lidando de perto com os grande investidores internacionais, o CEO avisou que nem é preciso chegar a fazer alterações legislativas, como sugere o relatório preliminar do deputado do BE Jorge Costa.”Cada vez que se fala publicamente nestas ideias peregrinas [aumenta a perceção de risco para o país. Os investidores pedem logo mais retorno ou vão investir para outro país. Se apostam cá partem do pressuposto de que as regras são para cumprir. Portugal não é o único com metas e a precisar de financiamento”, diz o CEO da Finerge.

Fundada em 1996, a Finerge é o segundo maior produtor de energia renovável em Portugal e tem atividade nos vários níveis da cadeia de valor, desde a fase de conceção e desenvolvimento de projeto, passando pela construção até à exploração de centrais.

Através dos seus 508 aerogeradores instalados nas 43 centrais eólicas que explora, a Finerge tem neste momento uma capacidade instalada de 908,1 MW, produzindo cerca de 2,12 TW/h por ano, evitando a emissão de 844 toneladas de CO2.

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