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Défice da balança comercial regressa. BdP pede “atenção particular”

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Lusa

O Banco de Portugal estima que a economia portuguesa mantenha trajetória de expansão. Reviu em baixa projeção para o crescimento em 2020.

A economia portuguesa vai continuar a crescer. Mas a um ritmo mais baixo e impulsionada mais pela procura interna do que pelas exportações. Isso levará Portugal a interromper já este ano o período de saldos positivos a balança de bens e serviços que se tinha iniciado em 2012, segundo as projeções feitas pelo Banco de Portugal no Boletim Económico divulgado esta quarta-feira relativas ao período entre 2019 e 2021.

O Banco de Portugal deixou as projeções para o crescimento inalteradas, à exceção de 2020. “Estima-se que, após um aumento de 2,1% em 2018, o produto interno bruto (PIB) cresça 1,7% em 2019 e 1,6% em 2020 e em 2021. A projeção para a evolução do PIB em 2020 foi revista ligeiramente em baixa, reflexo do enquadramento internacional”. Baixou de 1,7% para 1,6%.

Apesar de a economia manter a trajetória de expansão, é mais impulsionada pela procura interna que pelas exportações. “À semelhança do observado em 2018, ao longo do horizonte de projeção o contributo da procura interna para o crescimento do PIB será superior ao contributo das exportações. Este padrão de crescimento traduz-se num saldo negativo da balança de bens e serviços a partir de 2019, após um período relativamente longo de saldos positivos”, refere a instituição liderada por Carlos Costa.

Captura de ecrã 2019-06-12, às 13.11.26O Banco de Portugal estima agora um saldo negativo na balança de bens e serviços de 0,5% do PIB. Nas estimativas de março previa um excedente de 0,2% e que o desequilíbrio da balança surgisse apenas a partir de 2020. Já a balança corrente e de capital deverá deixar de acumular excedentes. “O excedente da balança corrente e de capital, após um período em que se situou em torno de 1,4% do PIB, reduziu-se para 0,4% do PIB em 2018, e antecipa-se uma diminuição para 0,2% do PIB em 2021”.

A instituição avisa que “esta evolução exige uma atenção particular, uma vez que o endividamento externo da economia portuguesa permanece num nível elevado e constitui uma das suas principais vulnerabilidades latentes”.

Convergência “muito gradual” com a zona euro

Apesar do menor ritmo de crescimento e dos “constrangimentos a um maior crescimento potencial”, o Banco de Portugal antecipa que o desempenho da economia portuguesa é “ligeiramente superior, em média, às estimativas disponíveis para a área do euro”. No entanto, esse processe do convergência “é muito gradual”. E “Portugal continuará a situar-se próximo de 60% da média do PIB per capita da área do euro, valor ligeiramente inferior ao observado no início da união monetária”.
Captura de ecrã 2019-06-12, às 13.11.08Já a taxa de desemprego deverá continuar a cair, mas a um ritmo mais baixo. “A taxa de desemprego vai continuar a cair, mas de forma mais lenta, devendo situar-se em 5,3% em 2021”, indica o Boletim Económico. Para este ano, o Banco de Portugal reviu em baixa a estimativa de 6,1% para 6,3% e projeta “crescimentos anuais do emprego de 1,3%, 0,8% e 0,4% até 2021”.

No entanto, o Banco de Portugal adverte que estas projeções para a atividade têm riscos descendentes, “em larga medida associados ao enquadramento internacional”. Entre os fatores que podem ter impacto negativo está a “possibilidade do impacto negativo das tarifas sobre os fluxos de comércio ser superior ao projetado” e “o risco de um agravamento das tensões geopolíticas”.

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