El País

“Votantes não compreendem a incapacidade da esquerda se entender”

Duarte Cordeiro, Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares
Duarte Cordeiro, Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares

El País dedica duas páginas a Portugal na edição deste domingo. Em destaque a fórmula política que uniu as esquerdas e garantiu estabilidade política

A esquerda espanhola – que ainda não conseguiu pôr-se de acordo para garantir a governabilidade daquele país -, está de olho no exemplo político português. É o jornal espanhol El País que o escreve, na edição deste domingo. A publicação esteve em Lisboa em reportagem, onde falou com várias personalidades nacionais, para explicar a fórmula portuguesa que garantiu estabilidade política ao longo dos últimos quatro anos.

“A quinzena de vozes consultadas para esta reportagem coincidem na análise essencial. As feridas que a troika deixou em Portugal depois do resgate europeu de 2011 mobilizaram enormemente as forças de esquerda para a derrota do governo de centro-direita que geriu esse difícil período”, lê-se no El País. Além disso, “a personalidade de Costa contribuiu decisivamente para a conceção do modelo”, acrescenta o jornal.

Questionado pelo El País sobre qual foi a chave para o entendimento entre as forças de esquerda em Portugal, o secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, dado como “muito próximo de Costa”, responde que “foi a capacidade de os partidos manterem as diferenças entre si, mas com um entendimento em matérias essenciais, com impacto para o país, como nos rendimentos, serviços públicos e reversão das privatizações. Que cada partido reivindique o mérito por estas medidas significa que foi um êxito”, sublinha Duarte Cordeiro.

À pergunta sobre quais foram os momentos mais difíceis desta união à esquerda, o antigo vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa sublinha que “na lei da Saúde o entendimento foi trabalhoso, ainda que os partidos tenham sido sempre corretos na apresentação das suas propostas. Na reforma laboral não houve acordo”.

Para Duarte Cordeiro, historicamente, os acordos têm sido mais fáceis à direita, e não só em Portugal. Mas “há que encontrar fórmulas à esquerda, que podem ser alternativa em matérias que lhe são muito caras, como os serviços públicos ou a luta contra as desigualdades”. Para o secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, “os votantes de esquerda têm dificuldade em compreender a incapacidade de entendimento entre partidos progressistas”.

 

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