Zona Euro

OCDE sugere reforço do investimento público em 0,75% do PIB na zona euro

Fotografia: Leonel  de Castro/Global Imagens
Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens

Organização desafia governos a adotarem uma política orçamental expansionista para ajudar a política monetária do BCE que está a perder poder de fogo.

Primeiro foi o próprio Banco Central Europeu, agora é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE). As duas instituições defendem que, perante o risco de uma recessão, os governos com capacidade devem estimular a economia com mais investimento.

No relatório intercalar sobre as perspetivas económicas divulgado esta quinta-feira, a OCDE elaborou várias simulações assumindo diferentes políticas, incluindo mais despesa e que “refletem escolhas de políticas públicas que poderiam ter sido tomadas em 2014.”

“Todos os países da área do euro aumentam o investimento público em 0,75% do PIB durante cinco anos – compensando as reduções no investimento num valor semelhante após a crise financeira”, sugere a organização. Ou seja, no caso de Portugal estaríamos a falar de um montante a rondar os 1,5 mil milhões de euros, tomando os valores atuais do PIB nominal.

O recado é para a Alemanha, a Holanda, a Áustria e os países bálticos que já em 2014 tinham capacidade orçamental para puxarem pela economia, ao contrário de países como França, Itália e Espanha (e Portugal) que tinham “menor espaço orçamental disponível, com défices de ou superiores a 3% do PIB e com um agravamento dos rácios da dívida sobre o produto.”

Nas simulações adotadas pela OCDE, assume-se que “todos os países avançam com reformas estruturais que conduzem a um aumento do crescimento da produtividade total dos fatores em 0,2 pontos percentuais ao longo de cinco anos.”

Também se assume um pequeno programa de quantitative easing (QE), “reduzindo o prémio das obrigações a 10 anos em 50 pontos base” com a utilização da “orientação futura da política monetária (forward guidance) de forma a manter as baixas taxas de juro durante mais tempo.”

Resultado
Nas simulações da OCDE, ao fim de cinco anos “o nível do PIB aumenta em cerca de 1,75% relativamente ao cenário base e a inflação é elevada para valores entre 1,7%-1,9%”, ou seja, próximo do objetivo do BCE (2%).

“No curto prazo, o impacto combinado do mix de políticas é visivelmente mais forte, refletindo o efeito direto no PIB de mais investimento público”, refere o documento.

Já em relação ao QE, a organização refere que “ao longo do tempo, o impacto no produto diminui gradualmente, enquanto o PIB em toda a zona euro aumenta pouco mais de 1% no longo prazo (15 anos).”

No que toca à dívida pública, as simulações indicam que os valores se mantêm “próximos dos níveis do cenário base”, mesmo com uma “expansão orçamental ao longo de cinco anos.”

A OCDE indica que “estes resultados sugerem que poderia ter sido seguida uma abordagem política diferente em 2014-15 que poderia ter sido mais eficaz para a estabilização macroeconómica do que depender apenas da política monetária.”

“Essas questões são ainda mais relevantes no momento atual”, afirma a instituição liderada por Angel Gurría, acrescentando que “é necessária uma combinação bem desenhada de ações de política orçamental e reformas estruturais específicas em cada país” que podem fortalecer o crescimento económico, tendo em conta as continuadas baixas taxas de juro na zona euro.

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