FMI

FMI. Portugal afunda numa recessão de 8% e desemprego atinge 14%

FMI
Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI. Fotografia: EPA/MICHAEL REYNOLDS

Taxa de desemprego acompanhará o declínio rápido da economia, mais do que duplicando entre 2019 e 2020. Chega a 13,9% este ano.

Portugal terá, este ano, uma das recessões mais duras da zona euro, com a economia a quebrar cerca de 8% em termos reais, indica o Fundo Monetário Internacional (FMI), no Panorama Económico Mundial, o outlook da primavera, divulgado esta terça-feira a partir de Washington.

Esta depressão económica será a pior marca anual de que há registos na História moderna do País (as séries longas da Comissão Europeia remontam a 1960), como aliás já aventaram mais instituições oficiais e gabinetes de estudos económicos de algumas universidades.

A taxa de desemprego também acompanhará o declínio rápido da economia, mais do que duplicando entre 2019 e 2020.

Depois de ter ficado em 6,5% da população ativa no ano passado, o FMI vê agora o desemprego a subir em flecha até aos 13,9%.

No ano seguinte, a economia portuguesa recupera, mas não tudo o que vai perder este ano. O crescimento deve chegar a 5%, indica o FMI, que agora é dirigido pela búlgara Kristalina Georgieva.

Da mesma forma, o mercado de trabalho continuará bastante debilitado no ano que vem. O nível de desemprego baixa apenas para 8,7%, prevê a instituição.

Portugal volta assim a divergir ligeiramente da zona euro, mesmo com esta em recessão profunda.

Segundo o FMI, a zona euro sofre uma contração de 7,5% este ano, um pouco menos do que Portugal.

A Alemanha deve recuar 7% e França segue-lhe as pisadas, com menos 7,2%.

Itália, o maior foco da pandemia na Europa, registará uma depressão superior a 9%, Espanha recua 8%, Grécia terá a pior situação da moeda única, com a economia a quebrar 10%.

Fora da União Europeia, a economia do Reino Unido decresce 6,5%.

Fonte: FMI

Fonte: FMI

Fonte: FMI

Fonte: FMI

Gita Gopinath, a economista-chefe do FMI, explica que “a pandemia da Covid-19 está a infligir custos humanos elevados e cada vez maiores em todo o mundo, e as medidas de proteção necessárias estão a ter um impacto severo na atividade económica”.

“Neste contexto de pandemia, a economia global deverá contrair-se acentuadamente em cerca de 3% em 2020, muito pior do que durante a crise financeira de 2008-09”, observa a economista. Na grande crise financeira a economia mundial cedeu apenas 0,1% em 2009, segundo as contas do FMI.

Fonte: FMI

Fonte: FMI

No cenário de base elaborado pelo FMI — “que pressupõe que a pandemia desaparece no segundo semestre de 2020 e os esforços de contenção podem ser gradualmente revertidos” — a economia mundial “deverá conseguir crescer 5,8% no ano que vem à medida que a atividade se vai normalizando, ajudada pelo apoio de medidas de política”.

No entanto, “os riscos de termos resultados ainda mais graves que estes são substanciais”, avisa.

“Partindo do pressuposto de que a pandemia e as medidas de contenção atingem o pico no segundo trimestre na maioria dos países e depois recuam no segundo semestre deste ano”, o Fundo projeta a tal quebra de 3%.”

“Isto faz deste Grande Lock Down [a crise do novo coronavírus] a pior recessão desde a Grande Depressão [nos final dos anos 20 do século passado] e muito pior do que a Crise Financeira Global”.

(atualizado 16h10)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Utentes à saída de um cacilheiro da Transtejo/Soflusa proveniente de Lisboa, em Cacilhas, Almada. MÁRIO CRUZ/LUSA

Salário médio nas empresas em lay-off simplificado caiu 2%

TikTok

Microsoft estará interessada na compra da operação global do TikTok

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho (D), ladeada pelo secretário de Esatdo dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro (E), intervém durante a interpelação do Partido Comunista Português (PCP) ao Governo sobre a "Proteção, direitos e salários dos trabalhadores, no atual contexto económico e social", na Assembleia da República, em Lisboa, 19 de junho de 2020. MÁRIO CRUZ/LUSA

Já abriu concurso para formação profissional de 600 mil com ou sem emprego

FMI. Portugal afunda numa recessão de 8% e desemprego atinge 14%