Turismo

Chegadas de turistas internacionais caíram 65% até junho a nível mundial

Turistas a chegarem ao aeroporto de Lisboa com mascaras para se protejerem do COVID 19.
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Turistas a chegarem ao aeroporto de Lisboa com mascaras para se protejerem do COVID 19. ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

OMT aponta para menos 440 milhões de desembarques internacionais e para uma perda de 386,83 mil milhões de euros em receitas de exportação de turismo.

As chegadas de turistas internacionais caíram 65% no primeiro semestre, a nível global, e diminuíram 93% em junho, face ao ano anterior, segundo um barómetro da Organização Mundial do Turismo (OMT), hoje divulgado.

“De acordo com os novos números do Barómetro do Turismo Mundial da agência especializada das Nações Unidas, as chegadas de turistas internacionais caíram 65% no primeiro semestre do ano. É um colapso sem precedentes causado pelo encerramento das fronteiras por todo o mundo e a introdução de restrições de viagens em resposta à pandemia”, lê-se num comunicado enviado à comunicação social pela OMT.

Já os dados de junho mostram uma quebra de 93%, em comparação com 2019, demonstrando “o grande impacto que a pandemia de covid-19 tem tido no setor”, acrescenta a organização.

Nas últimas semanas tem-se assistido à reabertura de um número crescente de destinos aos turistas internacionais, com a OMT a constatar o abrandamento das restrições às viagens em 53% dos destinos.

Ainda assim, muitos países permanecem cautelosos e este último relatório mostra que os bloqueios impostos durante a primeira metade do ano tiveram um impacto “devastador” no turismo internacional.

A OMT reitera que a queda repentina e drástica nas chegadas de turistas internacionais colocou em risco milhões de empregos, bem como a sobrevivência de “inúmeras” empresas.

Segundo a organização, a quebra na procura de viagens internacionais entre janeiro e junho traduz-se numa perda de 440 milhões de desembarques internacionais e cerca de 386,83 mil milhões de euros em receitas de exportação do turismo.

As perdas de receita do turismo internacional devido à pandemia são cinco vezes maiores do que as registadas durante a crise económica e financeira global de 2009, aponta a OMT.

A instituição considera que é possível fazerem-se viagens internacionais seguras em várias partes do mundo e afirma ser “imperativo” que os governos trabalhem em estreita colaboração com o setor privado para recuperar o turismo.

“O último Barómetro Mundial do Turismo mostra o profundo impacto que esta pandemia está a ter no turismo, um setor do qual milhões de pessoas dependem para viver”, afirmou, na mesma nota, o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili.

De acordo com o barómetro, a Europa foi a segunda região mais afetada do mundo, com uma queda de 66% no número de chegadas de turistas no primeiro semestre de 2020, a seguir à região da Ásia e Pacífico, a primeira a sentir o impacto da covid-19, com uma queda de 72%.

Também as regiões das Américas e da África e Médio Oriente sofreram fortes consequências na atividade turística, com diminuições de 55% e 57%, respetivamente, nas chegadas de turistas internacionais, no primeiro semestre deste ano.

Quanto ao futuro, a OMT pensa que é provável que a procura de viagens e a confiança dos consumidores permaneçam baixas, afetando os resultados para o restante do ano.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 929.391 mortos e mais de 29,3 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

As medidas para combater a pandemia paralisaram setores inteiros da economia mundial e levaram o Fundo monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 4,9% em 2020, arrastada por uma contração de 8% nos Estados Unidos, de 10,2% na zona euro e de 5,8% no Japão.

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