Turismo

Restrições impostas por apenas 11 países deixam 40% do turismo em xeque

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Algarve. Fotografia: LUÍS FORRA/LUSA

Limitações novas e corte nos aviões comprometem 7,3 mil milhões de euros em receitas, cerca de 40% do mercado de um mercado de 18,4 mil milhões

Reino Unido, Dinamarca, Bélgica, Noruega e Canadá são alguns países que impõem restrições relevantes aos seus residentes no regresso de viagens turísticas (as chamadas viagens não essenciais) a Portugal. No caso do Brasil e dos Estados Unidos faltam ligações aéreas, sendo que os EUA ainda nem sequer têm luz verde para se ligarem outra vez à Europa (só em caso de viagens profissionais e essenciais).

Onze dos 22 maiores mercados emissores de turismo (dados do Turismo de Portugal referentes a 2019) têm algum tipo de limitação para os seus residentes se procederem de Portugal. Ou falta de procura e de meios para cá chegar.

Em causa estarão mais de 7,3 mil milhões de euros em receitas turísticas (referência anual), ou seja, está em xeque quase 40% do mercado do turismo total. Muitas dessas restrições já vêm de trás, como por exemplo os limites ou mesmo proibição das viagens de avião.

Mas algumas restrições são novas. Ainda que possam ser temporárias, países como Reino Unido, Bélgica, Dinamarca e Áustria carimbaram Portugal ou algumas partes de Portugal como sendo de “alto risco” sanitário, desaconselhando os seus nacionais a viajar para aqui em lazer e, nalguns casos, impondo mesmo quarentena obrigatória para quem o faça e quiser regressar a casa.

Alguns operadores do setor ouvidos pelo Dinheiro Vivo dizem que estas novas restrições, mesmo que temporárias, são a machadada final que faltava na economia, inviabilizando o planeamento de férias em Portugal e a reserva de voos, hotéis e carros de aluguer por parte de milhares ou mesmo milhões de potenciais turistas.

O turismo era, até rebentar a pandemia, o grande motor da economia e do emprego. Agora, passou a ser o grande peso morto.

Um dos primeiros países a excluir Portugal da sua lista de destinos foi a Dinamarca, que deu mais de 114 milhões em receitas turísticas no ano passado.

Em meados de junho, a Dinamarca anunciou que iria abrir as suas fronteiras aos países europeus com baixo contágio de covid-19, mas excluiu desse “corredor” Portugal e Suécia.

No entanto, a maior bomba caiu depois. No início de julho, o Reino Unido anunciou que Portugal fica fora do seu corredor de turismo seguro. A decisão é temporária e será reavaliada no final deste mês, mas o potencial de destruição nas reservas e planos de viagem dos britânicos é enorme.

O Reino Unido é só o maior emitente de turismo de Portugal. Em 2019, deu a faturar quase 3,3 mil milhões de euros à economia portuguesa. Regiões como o Algarve são das que podem ser mais devastadas com a decisão, mesmo que haja uma reavaliação da medida mais tarde.

As receitas geradas por turistas da Áustria atingiram os 179 milhões de euros, em 2019, segundo o instituto Turismo de Portugal.

Mas o governo austríaco, para já, é claro. Portugal não é seguro: “O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Áustria alertou para o risco elevado de visitas a Portugal. Recomenda-se o regresso à Áustria a todos os viajantes austríacos.”

Esta semana foi a vez da Bélgica, que demonstrou alguma desorientação e revela como o quadro das restrições pode mudar de um dia para o outro. Primeiro, o governo do país decidiu classificar todo o território português como de risco elevado (nível laranja), e depois afinou ainda mais a bitola a desfavor de Portugal. Na quinta-feira Lisboa passou a ser considerada zona proibida (nível vermelho), obrigando os turistas belgas vindos da capital portuguesa a ser testados e a fazer quarentena (14 dias, pelo menos).

A Bélgica avisou que ia avaliar a situação diariamente, e ontem aliviou as restrições. O semáforo belga foi atualizado colocando Portugal no verde, e apenas as 19 freguesias da Grande Lisboa abrangidas pelo estado de calamidade continuam no vermelho.

Mas o dano está feito. O mercado dos turistas belgas não é negligenciável. Era o 12º maior e em 2019 gerou receitas de quase 380 milhões de euros.

A Noruega foi responsável por quase 150 milhões de euros no setor do turismo português. Mas, segundo as autoridades, “pessoas que regressam à Noruega ficam dez dias de quarentena em casa, independentemente de apresentam ou não sintomas”.

EUA, Brasil e China

O Canadá dava mais de 340 milhões de euros, mas as autoridades assinalam Portugal como sendo de “risco vermelho” e dizem aos seus nacionais para “evitar viagens não essenciais até aviso em contrário”.
Aos turistas dos Estados Unidos aplicam-se as regras europeias. Não são ainda permitidos voos de ligação para a Europa. Os EUA são o quinto maior mercado de Portugal; representava 1,3 mil milhões de euros em receitas turísticas.

Diferente é a situação do Brasil e da China. Os voos de ligação do Brasil são poucos e só do Rio de Janeiro e de São Paulo. O Brasil valia 735 milhões em receita turística.

No caso da China, as ligações estão abertas, mas a procura é residual. Segundo o Turismo de Portugal, muitas agências de viagens faliram e deixaram de incluir Portugal na lista dos pacotes de férias. É “uma operação cancelada” neste momento, diz o instituto no seu mais recente ponto da situação, divulgado na última quinta-feira.

A China valia 225 milhões de euros anuais para o turismo em Portugal, segundo dados oficiais relativos ao ano passado.

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