48 líderes exigem medidas fortes no OE2021 (Parte III)

Da agricultura à Academia, da indústria aos serviços, das telecoms à distribuição e startups, sem esquecer o inevitável turismo, gestores e empresários, economistas, empreendedores e representantes de setores alertam que o Orçamento do Estado tem de ser capaz de responder à crise e salvar postos de trabalho. O documento deverá ser entregue na Assembleia da República na próxima segunda-feira.

Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN

A aposta no investimento público é amplamente consensual e alinhada com as prioridades europeias, pelo que se devem efetivar no OE2021 dotações orçamentais necessárias para assegurar o correto aproveitamento do PT2020, novos instrumentos de financiamento comunitário. Esta definição é essencial para a economia e o emprego e para um posicionamento competitivo das empresas, designadamente construção e imobiliário, nos projetos identificados como essenciais para o país.

Martim Guedes, co-CEO da Aveleda

A agricultura está a iniciar uma revolução tecnológica. Da robotização das tarefas à agricultura de precisão, tudo vai mudar e o estado da arte ainda é embrionário. Há que apoiar duas áreas de investigação: (i) robotização de tarefas duras e pesadas, que já não têm trabalhadores disponíveis e (ii) investigação nas práticas agrícolas, que permitam menor uso de recursos naturais e pesticidas e alta qualidade do produto com custos controlados e elevada produtividade por hectare. Esta revolução obriga a investimento em I&D que precisa de apoios públicos, pois os montantes são elevados e o prazo de recuperação muito longo.

Miguel Matos, diretor-geral da Tabaqueira

A política fiscal deverá estar mais do que nunca alinhada e coordenada com a política económica, assegurando maior previsibilidade às empresas, nomeadamente devido à necessidade de atração e manutenção do investimento estrangeiro, que tanto pode contribuir para a recuperação do tecido económico com emprego gerado e exportações.

Miguel Pina Martins, presidente da AMRR

O regime de rendas variáveis para os contratos celebrados em Conjuntos Comerciais deve ser prolongado para 2021. Após um 2020 de prejuízos superiores a 40%, só esta medida de partilha de risco entre lojistas e proprietários permitirá evitar insolvências em massa e aumento exponencial do desemprego num setor (retalho e restauração) responsável no mínimo por 375 mil postos de trabalho.

Nuno Rangel, CEO do grupo Rangel

Sugeria o incentivo aos investimentos a realizar pelas empresas de logística, sem os impedimentos atuais à sua habilitação de candidatura (dimensão da empresa; prestadora de serviços). O investimento impacta positivamente na recuperação do PIB e na criação de postos de trabalho. O investimento em logística é um dos fatores críticos para a competitividade das empresas, com especial destaque para as exportadoras. Exemplos de investimentos, como plataformas logísticas e digitalização dos fluxos logísticos, permitiriam aos produtos nacionais aceder a mercados em condições de melhor competitividade do que os concorrentes. Portugal tem de continuar a apostar nas exportações, mas com isso é importante olhar para as necessidades das empresas de logística, que as apoiam.

Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Port.

A preocupação principal deve ser deixar mais dinheiro no bolso de empresas e famílias, para as empresas não fecharem, usarem fundos europeus e produzirem e as famílias consolidarem o poder de compra. Na emergência de 2020, foi lançar dinheiro na economia, em 2021, com os fundos europeus, o sinal mais importante é o desagravamento fiscal. Além de reduzir a fiscalidade sobre quem gera riqueza - empresários e trabalhadores - daria um sinal de que vale a pena trabalhar. Reduzir impostos também é um bom incentivo para o investimento verde em novas formas de produção e utilização da eletricidade.

Olivier Establet, presidente da DPD Portugal

Deve criar-se incentivos ao investimento privado, nomeadamente ao que promove criação de emprego e investimento em tecnologia para modernizar a economia, aumentar a eficiência das empresas e diversificar o crescimento para setores que não apenas ligados ao turismo. Com essa estratégia podemos ser um país inovador e aumentar a competitividade. Da mesma forma, os incentivos à sustentabilidade passariam pela redução dos impostos sobre eletricidade e compra de carro elétrico para empresas que atinjam determinada fatia de mobilidade elétrica, reduzindo o défice externo pela redução das importações de petróleo e apostando num modelo de desenvolvimento sustentável. Devem ser incentivadas as exportadoras com redução da taxa de IRC em função do peso da exportação de cada uma, para promover estratégias internacionais.

Pedro Matias, presidente do ISQ

O OE2021 deve, mais do que nunca, discriminar positivamente produção de conhecimento e inovação. Conhecimento, empreendedorismo e inovação serão os drivers de crescimento dos próximos anos e a chave para ultrapassar a crise provocada pela covid. Deve haver medidas robustas para alavancar estes drivers, como um novo sistema de incentivos fiscais à I&D (alargando despesas elegíveis e elevando taxas de recuperação), apoio à contratação de doutorados nas empresas, incentivos fiscais aos centros de interface e infraestruturas tecnológicas e ao seu trabalho direto com empresas.

Pedro Mota Soares, secretário-geral da APRITEL

O setor das comunicações eletrónicas é responsável em Portugal por 2,3% do PIB; pela criação e manutenção de cerca de 18 mil empregos diretos; pelo investimento de mais de 5 mil milhões nos últimos cinco anos e fundamentalmente pela garantia da coesão social e territorial. Mesmo numa conjuntura adversa relacionada com a enorme pressão sobre as receitas (-20% desde 2012) o setor tem apresentado uma performance de excelência, com cobertura e redes ao nível do melhor que se faz na Europa, mais e melhores serviços, como prova o crescente aumento do consumo de dados. Há que acreditar no que o setor pode aportar a Portugal, valorizar as comunicações e desonerar custos sem justificação e que só atrapalham. O OE devia considerar o financiamento do desenvolvimento de redes e coberturas em zonas sem rentabilidade comercial e o apoio das famílias carenciadas a um serviço universal de internet.

Pedro Pires de Miranda, presidente executivo da Siemens Portugal:

Reforço do incentivo fiscal em investimentos/projetos de digitalização na indústria transformadora e resiliência das infraestruturas críticas, e na formação contínua dos trabalhadores em ambiente tecnológico de transição digital (incentivo nas horas de formação efetiva) para a recuperação.

Rafael Campos Pereira, vice-pres. AIMMAP

Reiteramos a necessidade de profunda reforma fiscal nos impostos sobre o rendimento. Descida do IRS, permitindo ganhos de rendimento dos trabalhadores e um profundo estímulo ao consumo. Descida do IRC, garantindo aumento da competitividade empresarial e estímulos ao investimento. Eliminação progressiva de tributações autónomas, assegurando um planeamento fiscal mais transparente e previsível.

Raul Martins, presidente da AHP

A AHP fez chegar várias propostas ao governo. A destacar uma a incluir no próximo OE: o apoio à manutenção do emprego. Os mecanismos aprovados que vieram substituir o lay-off simplificado assentam num pressuposto que não se aplica ao setor turístico: que a partir de agosto se verificaria uma progressiva retoma da atividade (a TO na hotelaria neste ano não irá além de 30%). Por isso, a AHP propõe que empresas com queda de faturação igual ou superior a 50% tenham o custo com a massa salarial que suportam comparticipado pelo Estado em percentagem igual à da proporção da queda de faturação, incluindo redução da TSU na mesma proporção. Assim manter-se-ia o vínculo laboral até à retoma de forma a preservar o emprego e as empresas estarem aptas para o arranque.

Ricardo Neto, presidente da Novo Verde e ERP Portugal

Numa ótica de economia circular, devia estar prevista uma discriminação positiva sobre equipamentos elétricos e eletrónicos, bem como embalagens que incorporem materiais reciclados. Estando o país a preparar-se para o sistema de depósito de embalagens de bebidas de plástico, vidro, metais ferrosos e alumínio, deviam ainda ser consignados apoios aos investimentos necessários dos stakeholders.

Ricardo Tomaz, diretor de Marketing Estratégico e Relações Externas da SIVA

Com a crise da covid e a enorme depressão do setor, devia estar no OE2021 a reposição do apoio ao abate para veículos em fim de vida. Parece haver intenção do governo para que volte, mas apenas para quem compre elétricos. Compreendemos a intenção, importante para a mobilidade elétrica, mas face à terrível depressão do setor, com quebras na ordem dos 85%, o governo deveria repor o apoio também para substituição por carros com motores a combustão, por exemplo, com mais de oito anos. Teria efeitos salutares, já que não só ajudaria o setor a vender como se retirariam de circulação veículos antigos e mais poluentes.

Sandra Vera-Cruz, diretora-geral da Coca-Cola Portugal

É da maior importância que o OE2021 tenha foco particular no estímulo ao consumo, que permitirá o incentivo à atividade de áreas importantes para a economia portuguesa, como os setores Horeca e do Turismo, com inúmeros estabelecimentos de hotelaria, restauração e cafetaria, essencialmente micro e pequenas empresas. Que as medidas possam contribuir para que os portugueses tenham oportunidade de apreciar estes pontos de encontro imprescindíveis.

Stephan Morais, fundador da Indico Capital

Um incentivo fiscal para que fundos de pensões, seguradoras e instituições financeiras invistam na classe de ativos de venture capital - ou seja, em fundos de capital de risco que investem em tecnológicas. Esta classe de ativos é inexistente para estes investidores nacionais, ao contrário do que sucede em todos os mercados desenvolvidos, onde são a base do ecossistema empreendedor.

Telmo Santos, co-CEO da EuPago

Fala-se no apoio à digitalização mas esquece-se o investimento na literacia digital. De que vale ter milhões de lojas online, se a maioria não cumpre padrões mínimos de qualidade? O consumidor não está informado e soma más experiências de compra. Se queremos uma economia digital forte, o Estado terá de apostar na formação dos jovens através das suas instituições e de outros players.

48 líderes exigem medidas fortes no OE2021 (Parte II)

Da agricultura à Academia, da indústria aos serviços, das telecoms à distribuição e startups, sem esquecer o inevitável turismo, gestores e empresários, economistas, empreendedores e representantes de setores alertam que o Orçamento do Estado tem de ser capaz de responder à crise e salvar postos de trabalho. O documento deverá ser entregue na Assembleia da República na próxima segunda-feira.

48 líderes exigem medidas fortes no OE2021 (Parte I)

Da agricultura à Academia, da indústria aos serviços, das telecoms à distribuição e startups, sem esquecer o inevitável turismo, gestores e empresários, economistas, empreendedores e representantes de setores alertam que o Orçamento do Estado tem de ser capaz de responder à crise e salvar postos de trabalho.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de