Defesa

Indústria portuguesa procura oportunidades de negócio na NATO

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes. Fotografia: Manuel de Almeida / Lusa
O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes. Fotografia: Manuel de Almeida / Lusa

Agência de compras dos países da NATO com contratos de 2,5 mil milhões em 2015. Destes, 33,8 milhões foram para Portugal

O M6 é um drone portátil e muito leve, que permite a identificação de elementos químicos, biológicos, radioativos e nucleares, quer em cenários de guerra quer urbanos, que está a ser desenvolvido pela portuguesa I-Sky em parceria com o Exército e a Marinha. O objetivo, agora, é chegar aos países da NATO, reconhece João Sá Rodrigues, responsável de estratégias de mercado da empresa. Uma das 64 que nesta semana participaram no Dia da Indústria Portuguesa na NSPA – NATO Support and Procurement Agency, a central de compras e fornecimento dos 28 países da NATO, sedeada em Capellen, no Luxemburgo.

O Safeport, uma ferramenta de planeamento de condições de segurança nos portos, e o Inimig, uma plataforma de controlo de fronteiras, são alguns dos produtos que a Edisoft, que fatura nove milhões de euros, pretende vender aos países da NATO. A Albatroz Engenharia apresentou o Trax System, um sistema de inspeção por terra, usado pela REN e pela francesa ERDF para a inspeção de linhas elétricas, e que pretende ver aplicado ao universo da Defesa, como equipamento de vigilância, com capacidade de modelação em 3D. Já a WinTrust, uma empresa consultora e integradora de sistemas de informação, que trabalha com bancos, seguros, companhias de aviação ou de energia, quer agora ajudar a garantir que sistemas críticos para a Defesa não são comprometidos. Esta é uma empresa do grupo Timestamp, especializado em tecnologia Oracle, e que faturou 24 milhões de euros em 2015.

Estes são apenas alguns exemplos da participação portuguesa no Luxemburgo. Têxteis, calçado, sistemas de refrigeração, catering ou a produção e reparação naval foram outros dos sectores que marcaram presença, sem esquecer o segmento das comunicações, numa tentativa de aceder ao milionário mundo dos contratos para fornecimento aos países da NATO.

Milionário se olhado no seu global – a NSPA realizou contratos no valor de 2,5 mil milhões de euros em 2015 -, mas ao qual, nem por isso, está vedado o acesso das PME nacionais. O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, visitou cada uma das 64 empresas no Dia da Indústria Portuguesa no Luxemburgo. Não só ficou “impressionado” com a “diversidade das soluções inovadoras”, com a “sofisticação de processos” e com o “grau de internacionalização” das entidades que visitou, como garantiu que o tamanho não é um inconveniente no mundo da NATO. “Mais de 80% dos contratos que a NSPA faz têm um valor inferior a 25 mil dólares (cerca de 22,5 mil euros)”, refere. Um valor baixo e que dá à indústria portuguesa “a capacidade de ir replicando relações contratuais”.

No ano passado, Portugal vendeu aos países da NATO, através da NSPA, produtos e serviços no valor de 33,81 milhões de euros. Um crescimento substancial em relação aos 1,13 milhões de 2013 e aos 6,62 milhões de 2014 e que é resultado, admite-se, da primeira apresentação da indústria portuguesa no Luxemburgo, realizada em 2013. Mas as potencialidades continuam a ser enormes, não só pelo volume global de compras realizadas no seio da NSPA como pelo facto de só a OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal ter assegurado contratos de 30,3 milhões. Questionado sobre as expectativas de crescimento, Azeredo Lopes recusou quantificar, assegurando que o potencial “é muito elevado” e sublinhando que a multiplicação de contratos com efeitos plurianuais seria já um “resultado muito positivo”.

E para que não se pense que a indústria da defesa implica, apenas, armamento e equipamentos similares, Azeredo Lopes lembra o óbvio. Os militares também se vestem e também comem. É preciso “abandonar a ideia de que há casulos na Defesa”, diz o ministro, destacando as potencialidades da chamada indústria de duplo uso.

E quanto vale a indústria da Defesa em Portugal? Os últimos números da IdD – Plataforma das Indústrias de Defesa apontavam para cem empresas com um volume de negócios da ordem dos 1,78 mil milhões de euros, dos quais 88% obtidos em mercados externos. No entanto, Eduardo Filipe, presidente da IdD, garante que este número está a crescer e está já próximo das 300 empresas. O volume de negócios, diz, “tem tendência para triplicar” também, embora os valores exatos só serão conhecidos quando for publicado o Barómetro das Indústrias da Defesa, que está a ser terminado.

  • * no Luxemburgo
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