INE

57% do emprego criado em Portugal é trabalho por conta própria

Turismo pode ajudar a explicar. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
Turismo pode ajudar a explicar. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

Maior acréscimo nos “especialistas das atividades intelectuais e científicas”: 17 mil postos de trabalho por conta própria num ano, mostra o INE.

Durante muitos anos, a criação do próprio emprego esteve em declínio, mas nos últimos trimestres tem vindo a registar crescimentos significativos, liderando agora a dinâmica laboral em Portugal. Hoje são 816 mil, uma fatia de 17% do emprego total.

A economia portuguesa criou 73,5 mil postos de trabalho, em termos líquidos, entre o primeiro trimestre de 2018 e igual período do corrente ano, segundo o novo inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE). Destes, 41,9 mil são empregos por conta própria (trabalhadores isolados e empregadores), o equivalente a 57% da criação total de emprego no país, mostram cálculos do Dinheiro Vivo com recurso à base de dados do INE.

Esses 57% também são o valor maior de que há registo nas séries do INE que remontam a 2011. No último trimestre de 2018, o emprego por conta própria já cresceu a dois dígitos em termos homólogos, deu um salto de 42%. Em contrapartida, foram criados apenas 31,4 mil empregos por conta de outrem, naquele que é o registo mais fraco desde meados de 2013, estava Portugal a tentar sair da crise.

Os números oficiais deixam claro que o dinamismo do trabalho por conta própria está ligado ao setor dos serviços e a profissões que requerem qualificações relativamente elevadas, embora também esteja a puxar por qualificações mais modestas.

Traduzindo em números, mais de 81% do aumento no trabalho por conta própria acontece nos serviços, onde pontuam empresas de tecnologia, consultoria informática e de engenharia, operadores turísticos, fornecedores de serviços de alojamento e restauração, por exemplo.

“Atividades intelectuais e científicas” lideram

Analisando os dados mais desagregados fornecidos pelo INE, ao nível das profissões é inequívoco que o maior acréscimo no trabalho por conta própria acontece no segmento dos “especialistas das atividades intelectuais e científicas”, com mais 17 mil postos de trabalho criados no ano que termina no primeiro trimestre de 2019.

Logo a seguir, aparece o grupo profissional dos “trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores”, com um acréscimo de 11 mil novos empregos.

Se não fosse o forte desempenho do trabalho por conta própria, o emprego da economia portuguesa teria praticamente estagnado neste arranque de ano.

De facto, segundo os dados do INE, em Portugal a criação de emprego prossegue, mas com menos ímpeto, reflexo de algum abrandamento da economia, arrastada pelo desempenho mais modesto das exportações e pela carência de investimentos públicos e privados.

Há cinco anos, desde o início de 2014, que o emprego total está em expansão, havendo agora 4,88 milhões de pessoas com trabalho. A criação de emprego foi de 1,5% no primeiro trimestre (os já referidos 73,5 mil postos de trabalho adicionais) face a igual período do ano passado. Em todo o caso, trata-se do registo mais fraco em quase três anos (desde meados de 2016).

Mais licenciados com empregados, mais nos serviços, mais no quadro

Por graus de escolaridade, há menos 3,5% de trabalhadores com o ensino básico face ao início do ano passado, mas há mais 4,4% com o ensino secundário completo e mais 7,3% com um curso superior.

A agricultura, pescas e floresta destruiu neste mesmo período 1% dos emprego; o emprego na indústria, construção, energia e águas ganhou 2%; os serviços tiveram uma expansão de 1,6%.

Por vínculo laboral, a contratação sem termo aumentou 1,3%, o número de contratos a prazo caiu 0,8% e o trabalho por conta própria disparou, como referido, mais de 5% entre o primeiro trimestre de 2018 e igual período deste ano.

Desemprego cai, mas com menos intensidade

No capítulo do desemprego, a situação está relativamente estável. De acordo com as estatísticas oficiais, no primeiro trimestre estava sem trabalho 6,8% da população ativa, uma décima mais do que no final do ano.

José Vieira da Silva, ministro do Trabalho, considerou ontem que é normal no início do ano haver este tipo de subidas da intensidade do desemprego, argumentou com a “sazonalidade”.

Mas a série no INE não mostra bem isso. É primeira vez desde o início de 2016 (portanto, a segunda vez nesta legislatura) que a taxa de desemprego regista um agravamento. Em todo o caso, é relevante observar que, em termos homólogos, o desemprego continua a cair, mas também aqui a intensidade desse alívio tem vindo a perder força.

No primeiro trimestre, havia 353,6 mil pessoas desempregadas, menos 13,8% (56,5 mil) face ao trimestre homólogo de 2018.

Como referido, o volume de desemprego está a cair (em termos homólogos) de forma consecutiva há mais de cinco anos (desde o terceiro trimestre de 2013), mas neste primeiro trimestre, o recuo é o mais fraco desde meados de 2016.

Mas há sinais encorajadores também. “A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) situou-se em 17,6%, o valor mais baixo da série iniciada em 2011”, releva o INE.

A taxa de desemprego é “superior à média nacional em quatro regiões do país. O Algarve está na pior situação, com um nível de desemprego na ordem dos 9,4% da população ativa. Logo a seguir temos os Açores (8,4%), a Área Metropolitana de Lisboa (7,8%) e a Região Autónoma da Madeira (7%). “A taxa de desemprego no Norte igualou a média nacional (6,8%), enquanto Alentejo e região Centro (6,3% e 4,9%, respetivamente) ficaram abaixo daquele valor”, observa o novo inquérito ao emprego.

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