60 mil pessoas optam por pensão porque não arranjam trabalho

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Mais de 60 mil pessoas optaram pelo estatuto de pensionista porque depois de terem perdido o posto de trabalho, não conseguiram arranjar outro, indica um estudo do INE que acompanha o inquérito ao emprego, ontem publicado. Transitaram assim do grupo dos empregados para os inativos.

Aquelas 60,2 mil pessoas representam mais de 9% da população inativa dos 50 aos 69 anos que deixou o emprego, já com 50 ou mais anos, mas que “não procurou nem encontrou emprego e que declarou estar a receber uma pensão”. Ao todo são 651,5 mil pessoas, diz o INE. Os homens fazem mais isso que as mulheres.

O estudo, conduzido no segundo trimestre do ano passado, mostra que estas pessoas, embora ainda estivessem ligadas ou próximas do mercado de trabalho, acabaram na sua maioria por escolher a situação de pensionista por “doença ou incapacidade”. Quase 36% do total disse ser essa a razão principal.

Cerca de 105,1 mil pessoas disseram ter atingido a idade legal de reforma (16,1%) e 88,4 mil admitiram que não procuraram nem encontraram trabalho porque “já recebe ou já tem direito a receber uma pensão”.

Por outro lado, as duas autoras do estudo – Ana Luísa Neves e Maria Jesus Espinho – também foram tentar saber quais as “razões para continuar a trabalhar e idade planeada para deixar de trabalhar definitivamente”, apesar destes inquiridos já serem pensionistas.

“Esta questão teve por objetivo identificar o principal fator que leva as pessoas a manterem-se no mercado de trabalho”, explicam.

Os resultados mostram que “59,1% das pessoas [132,2 mil empregados dos 50 aos 69 anos] apontaram como motivo para continuarem a trabalhar a necessidade de obterem um rendimento suficiente, enquanto que 25,1% referiram que a razão para estarem a trabalhar não se relaciona com aspetos de natureza monetária/financeira”.

Neste grupo de empregados mais velhos, muitas na fronteira da aposentação, 40,1% disse que está “a pensar em parar de trabalhar definitivamente daqui a mais de 10 anos, 12,7% declararam que tencionam fazê-lo entre mais de 5 e 10 anos. Cerca de 10,4% “tencionam fazê-lo num curto espaço de tempo”, dentro de uma três anos.

“É de salientar, no entanto, a elevada percentagem dos que não souberam responder”. Quase 50 mil pessoas (21,9%) não fazem a mínima ideia de quando é que vão poder parar de trabalhar.

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