Plano de dívidas

Maria Luís Albuquerque: Contas públicas “não estavam nada controladas”

Programa do PS "não é credível", ataca Maria Luís Albuquerque

Ex-ministra das Finanças defende que a decisão do Governo tem como "objetivo primeiro" reduzir o défice.

A vice-presidente do PSD, Maria Luís Albuquerque, defendeu este sábado que o plano de regularização de dívidas aprovado esta semana pelo Governo mostra que “as contas públicas não estavam nada controladas”.

“Ficou absolutamente evidente que as contas públicas não estavam nada controladas e aliás, hoje, pelo que tive oportunidade de ver, parece que há outras medidas em preparação para acudir ao défice deste ano”, frisou a ex-ministra das Finanças, à margem de um colóquio sobre a banca promovido pelos Trabalhadores Social Democratas (TSD).

“A decisão de o fazer agora, com o prazo limite de 20 de dezembro, tem claramente um objetivo orçamental para este ano. Se calhar, janeiro seria um período mais adequado para beneficiar as empresas, só que não tinha o mesmo efeito no défice de 2016, portanto parece-me que esse é o objetivo primeiro”, afirmou.

A ex-ministra das Finanças não tem dúvidas de que se estivessem em causa “objetivos de outra natureza, não havia razão nenhuma para limitar [o plano] a 20 de dezembro”, até porque “dezembro não é um mês muito fácil para as empresas”.

Não há mercado para tantos bancos

Na sua intervenção no colóquio “A Banca – o Presente e Futuro”, Maria Luís Albuquerque defendeu que não há “mercado para sustentar todas as instituições financeiras que existem” e por isso “Portugal precisa de mudar o seu modelo de negócio bancário” e “ajustar a dimensão da banca nacional à dimensão do mercado”.

A vice-presidente do PSD criticou ainda a “falta de transparência” que tem envolvido a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e garantiu que ninguém sabe ainda quanto é que o processo vai custar.

“A minha esperança é que [o processo] se traduza numa Caixa capaz de atuar. Mas nem essa garantia temos. O que sabemos, para já, é que vai sair caro, mas não sabemos quanto nem para quê”, afirmou a ex-ministra das Finanças.

Na opinião de Maria Luís Albuquerque, “ninguém pode afirmar seriamente que há uma vitória” [com a aprovação do plano por parte da União Europeia], na medida em que “não sabemos quanto se conseguiu nem o que vamos pagar por isso. Nem os contribuintes, nem os trabalhadores ou os clientes da Caixa”, frisou.

 

 

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