86 mil famílias ficam sem moratória da habitação a partir desta quarta-feira

O governador do Banco de Portugal atualizou os dados das moratórias ao abrigo do regime privado que terminam no final deste mês. Taxa de incumprimento ronda os 3%.

A partir desta quarta-feira, dia 31 de março, 86 mil famílias deixam de estar abrangidas pela moratória privada para o crédito à habitação, tendo de voltar a pagar a prestação no mês de abril.

"Temos 294 700 devedores com moratória, particulares com habitação. Destes, 86 mil estão abrangidos pela moratória privada", indicou o governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno​​​​​​, revelando que "o valor médio global de exposição creditícia são 65 mil euros na moratória pública e no caso da moratória privada são 38 mil euros, ou seja, as exposições na moratória privada são muito mais reduzidas", frisou o ex-ministro das Finanças que foi ouvido no parlamento a pedido do Bloco de Esquerda.

"No dia 31 de março, na moratória privada são estas as situações que terminam. Nos outros créditos isso só acontece em junho deste ano", lembrou.

De acordo com os dados revelados esta terça-feira por Mário Centeno, 3,2 mil milhões de euros de crédito à habitação estão na moratória privada, da Associação Portuguesa de Bancos (APB) que termina esta quarta-feira, mas o governador do BdP desvaloriza potenciais problemas de incumprimentos.

"Sem números não conseguimos analisar aquilo que nos parece ser um tsunami, uma coisa explosiva, uma bomba-relógio. É preciso juntar números a esses adjetivos", afirmou em resposta à deputada bloquista, Mariana Mortágua.

"Dos 10% do crédito que já saiu de moratória, os dados mostram, nos quatro maiores bancos, que há uma taxa de incumprimentos de 3%, muito abaixo daquilo que é a média do sistema", exemplificou.

"Nos setores vulneráveis, 20% das moratórias são de crédito com garantia pública, dada antes de março de 2020 e que agora está em moratória. As garantias reais representam 48% do valor das moratórias", frisou o líder do supervisor bancário, acrescentando que "se somarmos estes dois números e há uma pequena sobreposição entre eles, temos quase 70% do crédito com moratória nos setores mais vulneráveis e que são os mais preocupantes e que nos devem preocupar nos próximos meses, têm alguma forma de garantia", sublinhou.

Quanto ao risco, o governador afirmou que "mais ou menos 20% estão em stage 2 (risco moderado) e marcados como NPLs (imparidades) andam à volta de 6%, mas quero sublinhar que têm já uma cobertura de mais de 40%", ou seja, os bancos têm uma "almofada" para eventuais problemas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de