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A banana, como a conhecemos, está em risco de acabar

A banana está em risco de acabar
Bananas correm o risco de extinção Bananas correm o risco de extinção

Um fungo mortal está a expandir-se pelas plantações de bananas. Cientistas lutam para que elas não sejam erradicadas

Em agosto, testes de laboratório na Colômbia confirmaram que um fungo, que destruiu algumas plantações de bananas em países como as Filipinas e Índia, havia chegado à América Latina, o cerne da economia mundial da exportação de banana. O fungo não tem cura, e como as bananas disponíveis nas lojas dos EUA são clonadas e geneticamente idênticas, quando a doença mata uma planta, as restantes plantas derivadas também estão em risco.

Em laboratórios no Reino Unido e na Austrália, os cientistas estão numa corrida para encontrar maneiras de salvar uma das frutas mais populares do mundo, antes que seja tarde demais. “Era apenas uma questão de tempo até que a doença chegasse à América Latina”, diz Gilad Gershon, CEO da Tropic Biosciences, uma startup que usa modificação genética para tentar criar uma versão da banana resistente à doença. Por enquanto, a doença só foi encontrada na Colômbia, onde o governo declarou estado de emergência e destruiu as colheitas. Mas, segundo a Fast Company, não demorará muito para que o fungo apareça também no Equador, país que cultiva a maior parte das bananas vendidas para os EUA e Europa.

O caso da década de 1950

É de facto um desafio, entretanto, a indústria já enfrentou uma situação parecida antes. Até à década de 1950, grandes produtores de bananas cultivavam um tipo de banana chamado Gros Michel, que era supostamente mais doce e saboroso do que a banana disponível hoje nos supermercados. Contudo, uma versão diferente do mesmo fungo, uma doença característica do Panamá, matou as plantações. As produtoras de bananas lutaram para encontrar uma alternativa e começaram a cultivar o Cavendish, uma variedade resistente à primeira variante do fungo. O Cavendish é omnipresente agora, mas corre o risco de ser eliminado pelo atual fungo, chamado de doença do Panamá Tropical Race 4 ou TR4. E agora não há outra alternativa que possa substituí-lo facilmente.

Embora existam cerca de 1.000 variedades de bananeiras, o Cavendish é o único que possui uma capacidade de crescer rapidamente e suportar o transporte por longas distâncias. Além de conter o sabor e a aparência que os consumidores esperam. Muitas outras variedades de bananas também estão suscetíveis ao TR4, em todo caso.

Randy Ploetz, patologista de plantas da Universidade da Florida, EUA, explica que “a doença não torna a fruta imprópria para comer, mas que se espalha pela planta, obstruindo os vasos que conduzem os nutrientes e a água, até que a planta morra. E pode durar décadas no solo, portanto, quando uma colheita morre, a terra não pode ser replantada”.

Na Austrália, os cientistas estão a inovar na abordagem do problema. Após vários anos de pesquisa, eles descobriram um gene numa banana selvagem que é resistente à doença e inseriram-no no tipo Cavendish. Os testes deram resultados positivos. A banana geneticamente modificada pode até vir a ser encontrada à venda. “O lamentável, e eu acho realmente lamentável, é que os consumidores geralmente não estão dispostos a experimentar bananas modificadas geneticamente, mesmo que sejam abundantemente seguras”, diz Ploetz. James Dale, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Queensland, diz que agora a sua equipe está a trabalhar numa versão editada por genes, que não usaria um DNA “estrangeiro”, portanto, pode ser aceita com mais facilidade.

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