“A matemática obriga a um trabalho constante, não dá para estudar de véspera”

ng3107254

As notas dos exames de matemática do 6º e 9º ano caíram a pique e as médias nacionais situam-se agora em valores negativos. Num mundo marcado cada vez mais pelo advento da calculadora e da folha de Excel, qual a verdadeira importância desta disciplina para o futuro profissional dos jovens portugueses?

Para dar resposta a esta pergunta, gestores nacionais de topo explicaram ao Dinheiro Vivo qual a sua relação com a matemática e reconhecem que a disciplina, além de permitir o acesso a várias áreas profissionais, ajuda no raciocínio lógico, permitindo assim formar melhores profissionais.

Carlos Martins – Presidente da Martifer, engenheiro

Ao contratar valoriza pessoas com conhecimentos de Matemática?

A matemática não é uma qualidade analisada isoladamente. Quando contratamos um engenheiro ou um economista, por exemplo, essa questão nem se prende, porque nestas áreas quem não for bom a matemática nem sequer consegue ingressar nos cursos. Olhamos, sim, para a média final do curso. Alguém que hoje tenha um curso de engenharia é porque é bom à matemática, quem não tiver uma boa nota não entra.

Quem é que precisa de saber matemática se hoje em dia existem calculadoras e folhas Excel?

As calculadoras e o Excel prendem-se com aritmética e não com matemática. Matemática é matemática e aritmética é aritmética. Matemática é lógica, ajuda ao raciocínio lógico.

Que nota é que teve a matemática no liceu, universidade?

Digamos que tive uma nota acima da média no liceu. Durante a universidade, também tive boas notas. Sempre fui melhor a matemática do que a português ou a línguas, por exemplo.

Nuno Ribeiro da Silva – CEO da Endesa, engenheiro e economista

Ao contratar valoriza pessoas com conhecimentos de Matemática?

Independentemente da necessidade de matemática para a sua formação, contratamos pessoas que utilizam matemática no seu dia-a-dia, como no caso dos seguros, onde se fazem cálculos de probabilidades, ou em áreas de tecnologias de informação, que tem um foco muito sólido e que precisam da matemática.

Para diversas profissões os conhecimentos matemáticos são aplicados na leitura de informação estatística, por exemplo, apesar de não ser utilizada matemática pura no dia-a-dia na maior parte das profissões como teoremas, sucessões ou teoremas.

A matemática obriga a uma ginástica intelectual. As dificuldades em matemática existem porque esta obriga a um trabalho diário, regular, constante. Não dá para estudar de véspera como num exame de história, por exemplo. É preciso muita disciplina, organização de trabalho.

Quem é que precisa de saber matemática se hoje em dia existem calculadoras e folhas Excel?

Não saber a lógica racional das coisas, leva-nos a que não saibamos espremer o sumo destas ferramentas, acaba por nos limitar. A bicicleta pode-nos levar a um local com menos esforço mas é útil compreendermos a mecânica da bicicleta para saber como ela trabalha. Acabamos por correr o risco de não sabermos interpretar o resultado quando o output seja negativo, por exemplo.

Que nota é que teve a matemática no liceu, universidade?

Tive boas notas. No Técnico, tive professores muito bons e passei sempre à primeira nas 4 cadeiras de matemática que se chamavam “análises matemáticas”, o que era um feito.

Nos exames do professor Campos Ferreira, eram 700 alunos num auditório, e nas pautas só apareciam os nomes dos que tinham passado, o que dava uma média de 30 alunos por exame. Havia estudantes no 4º e 5º ano que ainda tinham penduradas estas cadeiras do 1º e 2º ano. Em economia também tive notas altas. Quando o ISEG fez 110 anos de história, entrei para o quadro de honra dos 40 melhores alunos de sempre da licenciatura de economia.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Primeira greve da história da Autoeuropa realizou-se a 30  de agosto. Fotografia: JFS / Global Imagens

Autoeuropa com seis listas para a comissão de trabalhadores

Fotografia: MIGUEL A. LOPES/ LUSA

OE2017: Défice desce para 1,9% do PIB no primeiro semestre

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa durante a cerimónia de inauguração da nova área de produção da Bosch Security Systems, na zona Industrial de Ovar. Fotografia: PAULO NOVAIS/LUSA

Marcelo espera défice de 1,5% para este ano e crescimento de 3,2%

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
“A matemática obriga a um trabalho constante, não dá para estudar de véspera”