“A menina do papá”: Forbes publica investigação sobre origens da fortuna de Isabel dos Santos

Isabel dos Santos
Isabel dos Santos

Com uma fortuna pessoal de mais de 2 mil milhões de dólares, Isabel dos Santos foi eleita pela Forbes, no início do ano, como a mulher mais rica de África. Não só é a única multimilionária africana, como (com 40 anos) é a mais nova.

A origem da fortuna da empresária que começou na área da restauração, para deter ativos nas áreas da energia, telecomunicações e banca, era, já nessa altura questionada. E a revista prometia “aprofundar mais a questão”. A resposta veio na quarta-feira, no artigo “A menina do Papá: como uma “princesa” africana encaixou 3 mil milhões num país que vive com dois dólares por dia”. Co-assinado por Rafael Marques de Morais, jornalista angolano autor do livro Diamantes de Sangue, o texto liga a fortuna de Isabel dos Santos à intervenção do seu pai, o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

“Tanto quanto podemos investigar, todos os grandes investimentos angolanos detidos por [Isabel] dos Santos vêm ou de ficar com uma parte de uma empresa que quer fazer negócios no país ou de uma assinatura presidencial que a inclui na ação”, escreve a Forbes.

“Completamente falsas” foi a reação de Isabel dos Santos às afirmações contidas no artigo. “Nunca o Presidente nem o Governo angolanos transferiram ilegalmente ações de empresas para Isabel dos Santos ou para quaisquer empresas controladas por esta empresária”, disse fonte oficial, citada pela Lusa. “Isabel dos Santos é uma empresária independente e uma investidora privada, representando unicamente os seus próprios interesses”, frisa a mesma fonte. “Investimentos em empresas angolanas e/ou portuguesas são transparentes e têm sido realizadas através de transações baseadas no princípio de plena concorrência, envolvendo entidades externas, tais como reputados bancos e escritórios de advogados”, assegura. E levanta questões sobre a imparcialidade de um dos autores do artigo. Rafael Marques é descrito como “um conhecido ativista político que, patrocinado por interesses escondidos, passeia pelo mundo a atacar Angola e os angolanos”.

“Não é possível justificar esta riqueza, que é exibida de forma desavergonhada”, diz Marcolino Moco, antigo primeiro-ministro de Angola (1992-1996) à Forbes. “Não há dúvida que foi o pai que gerou tal fortuna”, garante.

A forma como Isabel dos Santos entrou no mundo dos negócios em 1997 é uma das histórias relatadas pela Forbes para mostrar a importância que o apelido “dos Santos” tem em Angola. Aos 24 anos, Isabel dos Santos é convidada para sócia de um restaurante, o Miami Beach. O dono, Rui Barata, tinha problemas com as autoridades sanitárias locais, questões que, depois da entrada de Isabel dos Santos como sócia, terão deixado de existir.

Outros casos dão conta do papel que José Eduardo dos Santos acaba por ter nos negócios da filha mais velha. A revista norte-americana faz a relação entre decretos presidenciais, aprovados em conselho de ministros, que abrem as portas à privatização de empresas angolanas, aos negócios de Isabel dos Santos. Da área da mineração – onde a empresária chegou a deter 24,5% da Ascorp, através do veículo Trans Africa Investment Services, hoje propriedade da mãe da empresária – à das telecomunicações. José Eduardo dos Santos permitiu em 1999 a criação de uma empresa privada no sector, desde que em parceria com o Estado, dando origem à Unitel. Operadora onde Isabel dos Santos tem uma participação de 25%. O valor investido pela empresária não é conhecido, mas segundo analistas do mercado de telecomunicações ouvidos pela Forbes está avaliada em mil milhões de dólares.

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