Investimento

“A Polónia procura investimento estrangeiro na área das tecnologias”

Jerzy Kwiecinski, ministro de investimento e desenvolvimento da Polónia.
Jerzy Kwiecinski em Lisboa.
(Gerardo Santos / Global Imagens)
Jerzy Kwiecinski, ministro de investimento e desenvolvimento da Polónia. Jerzy Kwiecinski em Lisboa. (Gerardo Santos / Global Imagens)

O ministro polaco Jerzy Kwieciński explica porque abriu uma delegação da Agência de Investimento Polaca em Portugal. A proximidade cultural ajudou.

A agenda de Jerzy Kwieciński era apertada, nos poucos dias em que esteve em Lisboa. Teve de se desdobrar em múltiplas reuniões com o governo português e participar em eventos internacionais. Contudo, o objetivo maior da visita a Portugal do ministro polaco do Investimento e Desenvolvimento – o equivalente à nossa pasta da Economia – era só um: a inauguração do escritório português da Agência de Investimento Polaca.

“Há dois anos, decidimos mudar de estratégia. Anteriormente tínhamos departamentos comerciais nas embaixadas, mas considerámos essa abordagem muito burocrática, não muito focada nas relações empresariais,” explica em entrevista ao Dinheiro Vivo. “Estávamos também mais focados em atrair investimento estrangeiro. Só que agora tornámo-nos uma economia mais aberta, as exportações já representam 45% do nosso PIB e precisávamos de apoiar as empresas polacas que queriam ir para fora.”

No âmbito desta nova estratégia, até ao final do ano passado o executivo polaco já tinha inaugurado 70 espaços comerciais um pouco por todo o mundo. Lisboa surge agora quase no fim da lista, a encerrar o ciclo deste processo de transformação. “Tenho de admitir que não havia muita certeza sobre se devíamos ou não abrir um escritório aqui. O volume das nossas trocas comerciais com Portugal está abaixo dos dois mil milhões de euros, o que representa muito pouco no nosso volume global, que é de 430 mil milhões.” Pesou a pressão do corpo diplomático polaco em Portugal e a importância das empresas portuguesas a operar na Polónia, e também a das polacas em Portugal. “Termos grandes companhias portuguesas a atuar no nosso país, como a Jerónimo Martins, a Mota-Engil e o banco Millennium, e também fortes empresas polacas a investir aqui, como a Asseco, de tecnologia, que é uma das maiores companhias do nosso país.

Semelhanças económicas, geográficas (ambos os países estão em posições limítrofes da União Europeia) e também culturais – Jerzy Kwieciński não se esquece de mencionar o peso de Fátima, mais do que qualquer praia, na atração de turistas polacos a Portugal – poderão ser um fator decisivo para chamar as empresas da Polónia. E ainda o facto de poderem encontrar aqui uma porta de entrada para outras geografias. “Poderá ser benéfico para quem quiser entrar em África e na América Latina. No passado, tivemos muito boas relações comerciais com a América Latina, mas nos últimos anos houve um abrandamento do qual queremos recuperar. Temos muitos polacos no Brasil: um milhão e meio, é a segunda maior diáspora a seguir aos EUA ”.

Em sentido contrário, o ministro polaco acredita que ainda há muita margem para mais empresas portuguesas poderem vingar na Polónia. “A Jerónimo Martins mostrou que quem for esperto tem sucesso em qualquer setor e em qualquer país. A Biedronka, da Jerónimo Martins, é vista como campeã. É atualmente a marca mais reconhecida no país. Mas, na verdade, o que a Polónia procura agora, em termos de investimento estrangeiro, é na área das tecnologias,” assume. Neste campo, Jerzy Kwieciński acredita que a União Europeia tem feito algumas apostas erradas.

“Bruxelas gasta demasiado em fundos de R&D (investigação e desenvolvimento), em brinquedos para cientistas. Mas depois não cria um ambiente propício à comercialização desses produtos.” Uma estratégia que, acredita, faz com que essa comercialização acabe por ser feita fora, prejudicando todos os Estados-membros.

Informação atualizada dia 16 de abril, às 10:10, com o valor correto do peso das exportações no PIB da Polónia.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O presidente do Novo Banco, António Ramalho, discursa na cerimónia de lançamento do Projeto de Divulgação Cultural do Novo Banco. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Banca custou ao Estado mais 1,5 mil milhões de euros em 2019, agora ajude

coronavirus portugal antonio costa

Proibidos ajuntamentos com mais de cinco pessoas. Aeroportos encerrados

O primeiro-ministro, António Costa, fala aos jornalistas no final da reunião do Conselho de Ministros após a Assembleia da República ter aprovado o decreto do Presidente da República que prolonga o estado de emergência até ao final do dia 17 de abril para combater a pandemia da covid-19, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 2 de abril de 2020. 
 MÁRIO CRUZ/POOL/LUSA

Mapa de férias pode ser aprovado e afixado mais tarde do que o habitual

“A Polónia procura investimento estrangeiro na área das tecnologias”