Retalho Alimentar

A quem confiava dados pessoais? Aos supermercados, dizem consumidores

(João Silva/ Global Imagens)
(João Silva/ Global Imagens)

Estudo da Deloitte, para o retalhista Ahold Delhaize, não inclui Portugal, mas indica predisposição dos consumidores em partilhar dados com cadeias.

A quem confiava os seus dados pessoais? Aos supermercados, mais do que a instituições financeiras, plataformas digitais ou redes sociais e, nalguns casos, mais do que a governos ou instituições médicas, dizem 15 mil consumidores de 15 países europeus, num estudo da Deloitte para o retalhista Ahold Delhaize.

“Os retalhistas têm hoje uma grande quantidade de dados à sua disposição e as principais cadeias estão a fazer um esforço no sentido de utilizar essa informação para benefício dos próprios consumidores, das suas organizações e dos seus parceiros. Estes indicadores podem representar uma enorme oportunidade para o setor do retalho que assume um papel determinante na vida dos consumidores”, diz Duarte Galhardas, partner e líder de consumer da Deloitte, consultora que realizou o estudo The consumer data give and Take, em conjunto com o Ahold Delhaize, um dos maiores grupos de retalho do mundo e que, em Portugal tem desde os anos 90 uma joint-venture com a Jerónimo Martins, detendo 49% da JMR SGPS, a empresa que detém o Pingo Doce.

Realizado junto a 15 mil consumidores de 15 países, o estudo não inclui Portugal, mas dá indicação da predisposição dos consumidores em partilhar os seus dados com as cadeias de retalho alimentar – com apenas 30% a indicar que não estão dispostos a fazer. Ou seja, 70% não se opõe em partilhar dados com os supermercados, valor ligeiramente abaixo dos serviços médicos (75%) e instituições governamentais (74%).

Leia o estudo The consumer data give and Take completo aqui

“As únicas organizações em quem os consumidores revelam confiar mais os seus dados são serviços médicos e instituições governamentais, e nalguns países os supermercados chegam mesmo a ultrapassar essas organizações”, destaca a Deloitte.

Redes sociais (9%), plataformas digitais (9%), serviços financeiros (10%), retalhistas não alimentares (12%) são as instituições com que os consumidores estão menos dispostos a partilhar informação.

Que dados querem partilhar?

É entre os consumidores mais jovens e aqueles que compram online com mais frequência que há maior predisposição para a partilha de dados. “Os jovens entre os 18 e os 29 anos de idade estão mais dispostos a partilhar dados pessoais (média de 3,1 na escala de 1 a 5) do que aqueles com 60 anos ou mais (2,6). Os entrevistados que realizam suas compras online com frequência estão também mais dispostos a partilhar as suas informações – a média de pessoas que compram online semanalmente foi de 3,3 (numa escala de 1 a 5), em comparação com 2,7 para aqueles que nunca fizeram compras online”, refere o estudo.

E que tipo de informação pessoal, de um conjunto de 18 tipos de dados, como demográficos e informações sobre saúde e rendimento, os consumidores estão dispostos a partilhar. Em geral, demonstram abertura em partilhar dados demográficos e informação sobre os produtos que compram e com que frequência, com 59% “muito dispostos ou “de alguma forma dispostos” a partilhar dados sobre a compra de produtos e o seu nível de escolaridade.

“Quase 40% dos entrevistados estão dispostos a partilhar informações detalhadas sobre saúde, como alergias e frequência cardíaca, mas apenas 28% estão dispostos a partilhar dados de localização”, mas revelam forte resistência na “partilha de informações financeiras, com dois terços dos entrevistados “nem um pouco dispostos” a compartilhar as suas transações em contas bancárias.”

Pouco mais de metade dos inquiridos estão satisfeitos com a forma como as cadeias de retalho alimentar usam os seus dados, com cerca de um quarto a considerar o seu desempenho “insuficiente” ou “muito pobre” e mais de 20% a não ter opinião sobre o tema. “O que sugere que as cadeias de retalho alimentar poderiam melhorar os seus esforços no que toca às medidas de proteção dos dados pessoais, e que uma melhoria na comunicação é um requisito chave”.

Que novos serviços podem as cadeias oferecer?

Com acesso a este manancial de informação, as cadeias podem criar serviços com base na informação de dados recolhida sobre os consumidores, como promoções personalizadas.

Mais de metade dos inquiridos (56%) mostra interesse em ter promoções personalizadas, 52% interesse em sair da loja sem ter de passar os produtos pela caixa e 51% em receber recomendações de novos produtos com base em gostos e hábitos. São menos entusiastas em obter uma lista de compras pré-preenchida (42%) ou aconselhamento dirigido na loja através de um assistente (32%).

Os consumidores também revelam algum interesse em receber ofertas para compra de produtos ou marcas mais éticas e receitas (19%), bem como de serem informados sobre a sua pegada de sustentabilidade, como por exemplo, a quantidade de plástico e emissões de carbono do seu cabaz de compras (47%).

Os retalhistas podem ainda contribuir com serviços que ajudem os consumidores a melhorar a sua saúde, tendo os consumidores revelado interesse em receber ofertas de marcas mais saudáveis (46%), bem como ofertas com base no seu comportamento de compras (45%). Menos interessados em serviços que lhes prestem informação sobre as suas opções nutricionais ou relatos do seu progresso nos seus objetivos de saúde (37%) ou que comparam os seus objetivos nesse campo com outras pessoas (33%).

Mecanismos que ajudem os consumidores a controlar as suas despesas no supermercado (41%), comparar os seus gastos com lares similares (36%) ou propostas de energia e seguros (34%) são outros serviços de apoio financeiro personalizado que os consumidores mostram alguma abertura, apesar de muitos se mostrarem relutantes em partilhar informação financeira como dívida, poupanças e transações bancárias.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Empresas com quebras de 25% vão poder pedir apoio à retoma

Balcão da ADSE na Praça de Londres em Lisboa.

( Jorge Amaral/Global Imagens )

ADSE quer 56 milhões do Orçamento do Estado por gastos com isentos

Fotografia: Miguel Pereira / Global Imagens

Quase 42 mil empresas recorreram a apoios que substituíram lay-off simplificado

A quem confiava dados pessoais? Aos supermercados, dizem consumidores