A segunda casa de brasileiros e angolanos é de luxo e fica em Portugal

Cascais
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Michael Valdes é cubano, vive em Miami e é vice-presidente da Sotheby’s na região Europa, Médio Oriente e África (EMEA). Esteve em Lisboa para saber como estava a correr o negócio da imobiliária de luxo norte-americana e regressou entusiasmado: “Portugal tem um potencial de crescimento tremendo”, disse em entrevista ao Dinheiro Vivo. E porquê? Porque apesar da crise económica, da troika e de os preços das casas de luxo estarem a baixar ligeiramente, existem compradores interessados.

“Temos os brasileiros, que veem Portugal como uma porta de entrada na Europa por causa da língua em comum. Angolanos e moçambicanos devido à relação colonial. E até compradores asiáticos, que começam agora a entrar no mercado”, diz, acrescentando que “a maioria já vê Portugal como o país onde têm a sua segunda casa”.

É por isso que, segundo Michael Valdes, “o sol e o mar são tão importantes para estes compradores, seja em zonas como Cascais, Algarve ou Madeira”. Vista para o mar ou praia perto são as principais características que estes compradores procuram quando querem comprar uma casa de luxo em Portugal, mas, de acordo com o mesmo responsável, nos níveis mais altos de luxo, a procura incide também na privacidade e na facilidade em chegar ao destino – por exemplo, ter um aeroporto de referência perto. “Muitos dos nossos clientes têm muitas casas, por isso a conveniência é um fator–chave.”

Benefícios fiscais atraem compradores de luxo

Não são apenas o sol e o mar que fazem que brasileiros, angolanos e asiáticos estejam tão atentos a Portugal. “Há alguns benefícios fiscais e muitos investidores interessados em encontrar países que são sensíveis a isso”, adianta Valdes.

É o caso do regime para residentes não habituais, que prevê uma taxa de 20% para rendimentos A e B e ainda a isenção de taxa para todos os rendimentos auferidos lá fora.

Além disso, diz Rafael Ascenso, diretor-geral da Porta da Frente/Christie’s, concorrente da Sotheby’s em Portugal, há o fator oportunidade.

“Os brasileiros vêm muito para Portugal à procura de hipóteses de investimento, principalmente agora que os preços estão mais baixos por causa da crise”, diz Rafael Ascenso. E acrescenta que, por isso, “as vendas aumentaram mais de 50% este ano em relação a 2011”.

Esta realidade não é, contudo, específica de Portugal, mas de toda a Europa. De acordo com Michael Valdes, que tem dez anos de Sotheby’s, dos quais dois como vice-presidente da região EMEA, este ano já houve duas vendas recorde. Uma foi “uma villa em Sorrento, Itália, que vendemos por 35,5 milhões de euros a um russo, e a outra foi também uma villa, no Sul de França, que vendemos no mês passado por 60,3 milhões a um checo”.

Segundo Valdes, a subida do volume de vendas é também consequência da mudança na estratégia na Sotheby’s. “Vemos muitos dos nossos afiliados europeus usar este momento para reestruturar o negócio baixando rendas de escritórios, expandido a presença e recrutando mais pessoas”, disse, esclarecendo que, por causa disso e porque “o mercado é cíclico, vamos sair desta crise numa posição invejável”.

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