Ações sobem há 9 anos, 6 meses e 6 dias e dívida é a maior de sempre

Uma década depois, alguns factores de vulnerabilidade persistem, e o fim dos estímulos e das baixas taxas de juros exigirá um reajustamento global.

Warren Buffett, CEO da Berkshire Hathaway cujo faro de investidor arrasta uma larga reputação internacional, chamou-lhes "armas financeiras de destruição massiva". Atingiam níveis recorde à entrada da crise, mas permanecem ainda hoje volumosos, valendo, em teoria, mais de 600 biliões de dólares.

Os produtos derivados são contratos que oscilam conforme o valor de ativos principais aos quais estão ligados, mas que não requerem o investimento das partes nesse ativo de base, e que durante muitos anos foram produzidos à margem das câmaras de compensação das bolsas de valores.

Na crise de 2008, de entre eles, os swaps de crédito, ou CDS (seguros sobre o incumprimento), precipitaram a seguradora AIG para a intervenção dos reguladores, e agudizaram a crise.

Os CDS tês vindo a reduzir-se. Foram quase tão famosos como as obrigações de dívida colateralizada, as CDO, ativos compostos dos chamados créditos subprime com diferentes remunerações e riscos ao repagamento classificados por tranches, que intoxicaram as carteiras dos bancos e puseram em causa o sistema.

Se a inovação financeira não parou, o endividamento global continua também a superar-se. No final do primeiro trimestre, o novo máximo global era de 247 biliões de dólares e representava 318% do PIB mundial.

Os níveis de endividamento que a economia global continua a insuflar no pós-crise fazem recear os efeitos das novas trajetórias da política monetária. Por exemplo, os países emergentes, onde se têm multiplicado crises cambiais, acumulam uma dívida superior um bilião denominada na moeda dos Estados Unidos, suscetível às subidas da Reserva Federal - e que poderão ainda ser duas até ao final do ano. Também a esperada primeira mexida do Banco Central Europeu, associada ao fim do programa de compra de ativos da instituição, implicará um reajustamento na Zona Euro.

As cotações de Wall Street levantaram, a 9 de março de 2009, e até aqui ainda não aterraram. Este é desde final de agosto o "bull market" mais longo da história dos mercados dos EUA. O S&P 500, o mais transversal dos índices nas bolsas do país, persiste sem uma queda igual ou superior a 20% há 9 anos, 6 meses e 6 dias. E o sector financeiro tem o terceiro maior peso nas valorizações, atrás das empresas de bens de consumo e das de tecnologia. Mas, há ainda entre os investidores quem considere esta alta contínua das ações americanas artificial, fruto de uma política de estímulos pós-crise que só agora começa a desfazer-se com a normalização da política monetária da Reserva Federal.

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