Acordo fechado: Mário Ferreira fica com 30% da TVI

Empresário pagou 10,5 milhões por quase um terço da empresa de media. Espanhóis da Prisa mantêm restantes 64,5%.

Se à primeira a operação ficou pelo caminho, Mário Ferreira não baixou os braços e depois de a Cofina ter decidido voltar atrás com a oferta para comprar a TVI - com o empresário pronto a assumir uma fatia desse negócio -, o dono da Douro Azul fez nova oferta e fechou negócio. Um par de semanas depois de ser conhecida a oferta de Mário Ferreira por 30% do grupo que detém ainda ativos como a Rádio Comercial ou a produtora Plural, foi comunicado ao mercado que o negócio está feito.

"A operação foi concretizada através da compra de um bloco de ações, no valor de 10,5 milhões de euros, correspondentes a 30,22% do Grupo Media Capital, assumidas agora pela portuguesa Pluris, detida por Mário e Paula Ferreira", escreve em comunicado à CMVM a espanhola Prisa, que continua a deter 66,5% do capital do grupo Media Capital.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o empresário já confirmara manter o interesse no negócio, mesmo depois de a Cofina ter recuado, sublinhando então a intenção de comprar uma fatia, não a totalidade do grupo. "Comprar 100% não está nos nossos horizontes", sublinhou, explicando que a compra seria financiada por dinheiro próprio - conforme acontece agora - e dizendo-se ainda assim disponível para “ajudar a Prisa” a transformar o grupo dono da TVI e de ativos como a produtora Plural ou as rádios Comercial e M80 “num grupo que, à escala europeia, possa ter cada vez mais relevância.”

"Vamos entrar para ajudar", vincou ao Dinheiro Vivo. O importante, neste momento, é que os colaboradores do grupo, dos jornalistas, aos atores, “acreditem que há uma estratégia de futuro” e que “tenham vaidade de dizer que trabalham ou na TVI, na Rádio Comercial ou na Smooth FM”.

Leia também - Mário Ferreira assume 30% da TVI: "Se é preciso 50 trabalhadores, não se pode ter 350"

A entrada de Mário Ferreira garante ainda um investimento, conforme fora já noticiado, na transformação do grupo, bem como a procura de novos investidores na Media Capital, "com um novo plano de negócio, que facilitará o desinvestimento" da Prisa na dona da TVI. O grupo espanhol faz ainda questão de elogiar o dono da Douro Azul, "um investidor ideal para a Media Capital, dado o seu compromisso em apoiar e ajudar a equipa diretiva com a sua experiência em Portugal; o seu trajeto como investidor responsável e orientado para o crescimento; e o seu compromisso e capacidade para proporcionar recursos financeiros, se for necessário", sublinha o grupo no mesmo comunicado.

"A operação pressupõe uma avaliação da empresa (enterprise value) em aproximadamente 130 milhões de euros , ficando acima das estimativas de mercado, num contexto em que os ativos nos media estão a sofrer um forte impacto com a crise da covid-19. As empresas de FTA estão a cotizar o enquadramento de 6/7 vezes o seu EBITDA, e tendo em conta as circunstâncias atuais da indústria e da evolução do ativo, a avaliação alcançada é muito positiva", acrescenta a empresa espanhola, justificando a venda destes 30% com a "política de desinvestimentos de ativos considerados não estratégicos" que permite pôr em foco o fortalecimento de Santillana e a transformação digital dos seus meios de comunicação em Espanha e na América Latina.

Em entrevista à Lusa, publicada logo que foi libertado o comunicado, Mário Ferreira contou que as negociações com a Prisa começaram "logo no dia a seguir" ao anúncio de que a Cofina, dona do Correio da Manhã não iria avançar. "Falámos com gente importante da Prisa, que me contactou a perguntar as razões de não ir em frente e eu respondi que não sabia", relata, assegurando ainda que a sua entrada no capital da dona da TVI foi financiada com recurso a capitais próprios. "Poupei, tenho poupanças, invisto-as onde me apetece e não será só neste negócio, aparecerão outros de certeza e, felizmente, temos capacidade para investir."

Mas não será em mais empresas de comunicação social. "Esta entrada no negócio dos media foi casual. Na altura, o Paulo Fernandes

convidou-me para o aumento de capital para comprar a Media Capital. Achei interessante e mantive-me, a pedido da Prisa, quando não avançou no formato em que estava ", adiantou Mário Ferreira à Lusa. "A Prisa pediu-nos ajuda para conseguir manter aquilo que queria, que era um parceiro português e estratégico."

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