AEP pede novos apoios para a formação de trabalhadores

Associação lança uma lista de propostas para adequar a formação à realidade das empresas e melhorar os recursos humanos

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) apresenta esta quinta-feira, nas suas instalações em Matosinhos, as conclusões do documento “(Re)Qualificar para competir”, do qual constam várias propostas de ação, envolvendo todos os graus de ensino, e se apela à reposição, no próximo quadro comunitário de apoio, em preparação, de verbas para apoiar o investimento na formação dos trabalhadores, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida.

Para a AEP, liderada por Luís Miguel Ribeiro, a prioridade é apoiar e comparticipar a requalificação dos trabalhadores que estão no ativo, para que se adaptem à “revolução tecnológica” (Indústria 4.0, inteligência artificial, automação…), portadora de novos modelos de negócio em todas as áreas. É uma espécie de derradeiro apelo para que se façam ajustamentos face à evolução da sociedade e da economia neste momento de viragem.

A requalificação deverá abranger igualmente os próprios empresários e gestores, com o apoio de associações empresariais, escolas profissionais e centros tecnológicos, de acordo com a análise conduzida por um conjunto de 15 individualidades (Comissão Científica) a convite da AEP.

Fomentar o relacionamento intergeracional, onde convivem quatro gerações, é visto uma como oportunidade para o aprofundamento de conhecimentos, experiências, atitudes e ligação às empresas.

Resgatar do desemprego

No âmbito da formação profissional, o principal objetivo é criar condições para a reconversão de jovens qualificados que estejam no desemprego, numa reorientação a ser dinamizada com as empresas, em colaboração com as instituições de ensino superior e associações empresariais.

Por outro lado, a AEP considera “imperativo” reforçar a notoriedade da via profissionalizante do ensino (por contraponto à via científico-humanística), para assim cativar mais alunos e o país poder dispor também de “bons quadros técnicos intermédios”, outro dos fatores de atração do investimento.

Críticas ao ensino superior

Já a via do ensino superior não é poupada a críticas, por ser “aquela que hoje regista uma maior necessidade de restruturação”, ao nível dos curricula e das metodologias, sem poupar os docentes pela tendência para “resistir à introdução de alterações”, nomeadamente, no uso de novas ferramentas didáticas.

A AEP desafia as instituições a refletirem sobre “o atraso que se verifica na criação de novas ofertas em domínios emergentes”, o que obrigará a introduzir “uma alteração muito significativa no paradigma atual do ensino superior”, para acompanhar a “rápida evolução” das tecnologias e da necessidade das empresas, sem esquecer neste processo a formação dos professores.

No capítulo da aproximação da academia às empresas, o documento identifica a inovação como um “bem maior para a economia nacional” que tem resultado dessa ligação. Por esse motivo, apela-se a um “esforço contínuo e estruturado” de aproximação mútua, “para que ambas possam alcançar um novo patamar de cooperação”.

Mais competências e menos conteúdos

Quanto ao ensino básico e secundário, a AEP defende ambientes escolares e salas de aula “mais desafiadoras e mais inclusivas, com mais tecnologia”, onde a avaliação se exerça não apenas sobre os conteúdos, mas também sobre as competências adquiridas.

Além disso, tendo em conta que os tempos atuais são de “grande mudança” – as tecnologias, conteúdos, personalidade e atitude dos alunos – é igualmente sugerido que os professores sejam alvo de um “processo paralelo e intensivo de sensibilização e informação”, para conseguirem estar à altura das novas exigências.

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