Emigração

Uma nova plataforma para ajudar os jovens emigrados a regressar

Apoiar o regresso de jovens emigrantes. Fotografia: D.R.
Apoiar o regresso de jovens emigrantes. Fotografia: D.R.

Fundação AEP lançou uma Rede de Empresários Lusos e uma plataforma que pretende levar os jovens emigrantes qualificados a regressarem a Portugal

A Fundação AEP (criada pela Associação Empresarial de Portugal e dezenas de empresas) lançou um projeto que tem por objetivo apoiar os cerca de 100 mil jovens emigrantes altamente qualificados a regressarem a Portugal. O projeto integrado no “Regresso de uma geração preparada”, conta com uma Rede de Empresários Lusos, sete câmaras municipais, e um site.

O presidente da Fundação AEP, Paulo Nunes de Almeida disse ao Dinheiro Vivo, que a iniciativa se dirige a jovens altamente qualificados, com licenciaturas, mestrados e doutoramentos, dos cerca de 100 mil jovens que saíram de Portugal na última década. “São jovens com mundo e que fazem falta ao nosso país”, sublinhou.

Na nova plataforma, que funcionará como uma rede de net work, os jovens podem inscrever-se, e as empresas, muitas que estão nos chamados sectores de bens transacionáveis, que querem contratar nas áreas de engenharias, das tecnologias de informação e comunicação e para os seus centros de investigação, mas dizem que é difícil, inscrevem as suas ofertas.

“Esta face da plataforma é para os jovens que queiram trabalhar por conta de outrem, mas pelo inquérito que fizemos, muitos são, daqueles que ponderam regressar, os que querem criar as suas empresas, e nesse caso podem encontrar toda a informação na plataforma“, referiu Paulo Nunes de Almeida.

O presidente da Fundação explicou como funciona este sistema. “Um jovem que esteja em qualquer parte do mundo e queira constituir uma empresa em Portugal no setor da alta inovação e conhecimento recebe apoio para essa criação, ou seja, fica a saber quais são os procedimentos administrativos necessários, quais os sistemas de incentivos, a disponibilidade de recursos humanos em determinada região. E agora com a parceria das sete autarquias (Figueira da Foz, Santa Maria da Feira, Arcos de Valdevez, Anadia, Vila do Conde, Fundão e Alenquer), vão, também, ter informação sobre parques industriais, ninhos de empresas, incubadoras, benefícios fiscais e apoios à contratação”.

Naturalmente, a Fundação não dará qualquer apoio monetário, “nem teria capacidade para o fazer, mas a cada projeto apresentado indicará os apoios existentes a que se podem candidatar e como o podem fazer”, salientou.

Esta iniciativa surgiu “depois de percebermos se os jovens qualificados que emigraram ponderavam o regresso. Para isso foi realizado um inquérito, pela Universidade de Coimbra, e recebemos 1300 respostas, que para nós são representativas, não apenas pelo número, mas também pela sua distribuição no mundo”, frisou Paulo Nunes de Almeida.

Das respostas, ao inquérito realizado em maio, um terço revelou não ter qualquer perspetiva de regresso, devido aos baixos salários, às poucas oportunidades de carreira, à falta de oferta de emprego na área de experiência e à instabilidade do país. Dois terços encaram essa possibilidade num horizonte de cinco anos, e as razões são as saudades, as oportunidades de carreira, as possibilidades de criar o próprio negócio e o rendimento a auferir.

E, adianta o presidente da AEP, 50% dos que querem regressar expressaram a vontade de criar a sua própria empresa”. Os inquiridos são 40,0% do distrito de Lisboa, e 18,7% do Porto.

O Reino Unido é o país que acolhe mais portugueses qualificados, seguido da Alemanha, França, Holanda e Suíça, tendo o pico da emigração sido em 2012. Relativamente à situação laboral, o inquérito mostra que 59,9% deles estão empregados com um contrato sem termo, 20,6% com contrato a termo, 7,2% são estudantes, 5,8% trabalha por conta própria sem empregados, 2,8% são empresários e têm funcionários, 2,1% estão noutra situação e 1,3% estão no desemprego.

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