aviação

Aeroporto do Porto com planos para duplicar passageiros em 6 anos

Aeroporto de Francisco de Sá Carneiro deverá atingir oito milhões de passageiros este ano, depois de ter quadruplicado o movimento de passageiros numa década e impulsionado o turismo na região.

A comemorar 70 anos de vida depois de amanhã, o Aeroporto do Porto está longe de estar ultrapassado. Na última década, quadriplicou o número de passageiros, de cerca de dois milhões para os oitos milhões a contabilizar até ao final deste ano, e os planos para duplicar a capacidade de movimentos até 2022, poderão, segundo o diretor Fernando Vieira, “duplicar os atuais passageiros em poucos anos”.

Com tanto crescimento, não há risco de esgotar a capacidade em breve?
Ainda estamos muito confortáveis relativamente à nossa capacidade, mesmo sem os investimentos que estão previstos para aumentar a capacidade de movimentos. Há aeroportos onde ouvimos o comandante dizer que estamos em 15º lugar para levantar voo e aqui estão sempre em primeiro (ou, muito raramente, em segundo). E isso é muito bom porque as “low cost” não podem perder tempo, se não fossemos capazes de aterrar o avião, descarregar passageiros, tornar a embarcar passageiros e fazer levantar voo em 25 minutos, as “low cost” não vinham.

Com os atuais 73 destinos diretos operados por 20 companhias aéreas, a próxima grande aspiração do aeroporto é captar mais voos de longo curso. “As companhias de longo curso só começam a equacionar aeroportos quando atingem cerca de 12 milhões de passageiros, portanto com oito milhões já vão começar a olhar para nós com outro interesse. Já temos algumas aproximações de algumas companhias, mas estas coisas chegam a levar anos a negociar”, explica Fernando Vieira, diretor do aeroporto há quase 20 anos e responsável pela estratégia que tornou o destino conhecido. “Foi sorte e foi algum mérito”, admite, com a reserva que lhe conhecem os funcionários do aeroporto e os parceiros de instâncias como a Associação de Turismo do Porto, cuja direção também integra.

Qual a maior diferença entre o aeroporto onde começou a trabalhar em 1991 [e a dirigir em 1996] e hoje?
Quando cheguei, só havia uma aerogare com partidas e chegadas, pintada a verde e vermelho, muito nacionalista, e muito menos movimento do que agora. O aeroporto esteve estagnado durante muitos anos, com cerca de dois milhões de passageiros. Este ano, temos um edifício com capacidade de crescimento à medida das necessidades, temos uma série de prémios e vamos atingir oito milhões de passageiros ou muito perto disso.

Hoje, é sabido que o turismo cresce a dois dígitos na região que já não recordará os tempos em que o tráfego de passageiros estava estagnado e o Porto mal era conhecido, nem como cidade, nem como destino turístico. “Lembro-me de andarmos de «chapéu na mão» a correr todas as forças vivas da região para conseguirmos um incentivo que trouxesse para cá as «low cost» e de todos nos dizerem que esse turista de chinelo não nos interessava. Só o Mário Ferreira [da Douro Azul] foi capaz de participar nesse incentivo, numa altura em que a Ryanair mal nos recebia. Posso dizer, sem modéstia, que foi o Aeroporto do Porto que deu o pontapé de saída nisto tudo, neste crescimento brutal do turismo nos últimos anos”, recorda.

16%
A taxa média anual de crescimento de passageiros no Porto tem sido de 8%, mas este ano vai duplicá-la e chegar a cerca de 8 milhões de passageiros. O crescimento previsto para este ano era de 4,8% para 72, milhões de passageiros.

A entrada do novo acionista na ANA – Aeroportos de Portugal, a Vinci Airports, também foi identificada por alguns como potencial ameaça ao desenvolvimento do aeroporto, porém será o plano de investimentos previsto na concessão o responsável pela próxima grande expansão da infraestrutura, invisível aos passageiros, mas capaz de permitir passar de um máximo de 20 para 32 movimentos de aviões por hora, através da construção de caminhos paralelos à pista. “O Plano Diretor do Aeroporto do Porto, algo que já foi inovador na época porque previa fases de ampliação para uma obra pública pensada a 10, 20 ou 30 anos, previa passarmos da fase dos seis milhões de passageiros para nove milhões, depois para 12 e 15 milhões. Mas vamos saltar uma fase e vamos diretamente dos seis para os 12 milhões”, explica Fernando Vieira.

4,27
Índice de satisfação dos clientes do Aeroporto do Porto (de 0 a 5) em 2014 foi a melhor de todos os aeroportos nacionais, seguida dos Açores com 3,97. O tempo médio de resposta às reclamações dos clientes é de apenas três dias.

Entre os segredos mais bem guardados do êxito das últimas duas décadas do Aeroporto do Porto, Fernando Vieira destaca ainda a equipa pequena, com pouco mais de cem pessoas, mas eficiente e motivada “porque só quando há uma elevada responsabilização das pessoas se consegue este orgulho e brio que temos no nosso aeroporto”. A eficiência é a chave para a competitividade, na perspetiva do diretor do aeroporto, que se orgulha do prémio “Boas Práticas” que a EDP lhe atribuiu, no ano passado, fruto da poupança de 12,5% em energia apesar do aumento de passageiros”. É, também, o segundo aeroporto da Europa com maior taxa de tratamento de resíduos, pouco atrás de Oslo.

O que falta fazer no aeroporto do Porto?
Fora o lado dos grandes investimentos, há um trabalho que ainda precisamos de fazer para aumentar o número de pessoas que viajam de avião. Ainda há muita gente que não sabe fazer uma reserva no computador e, especialmente fora dos centros urbanos, há muita gente que ainda não percebeu que, se calhar, pode ir visitar os netos a Paris por 20€ e que andar de avião é fácil, é seguro e económico. Parte dessa divulgação tem sido feita dentro do aeroporto, com maior abertura à comunidade, abrindo o espaço a exposições, a concertos, a peças de teatro ou a mostras de produtos que querem apresentar-se aqui e temos porta aberta para todos.
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