Vodafone IA

Afonso Camões. Desafios da IA têm de ser enfrentados “com urgência”

Afonso Camões
(Leonel de Castro/Global Imagens)
Afonso Camões (Leonel de Castro/Global Imagens)

Administrador executivo do Global Media Group reclama o enfoque na educação como "ferramenta essencial para o desenvolvimento"

A transformação digital está aí e pouco há a fazer senão adaptarmo-nos a ela. E já não é de futuro que falamos, a inteligência artificial marca, já hoje, presença nos nossos dias e, paulatinamente, “coloca desafios que temos que enfrentar com urgência”, acredita o administrador executivo do Global Media Group.

Afonso Camões lembra as previsões “inquietantes” do Fórum Económico Mundial que, há dois anos, apontavam para a automatização ou desaparecimento de mais de metade dos atuais postos de trabalho até 2030 e as estimativas dos que preveem que, nos próximos anos, por cada sete milhões de empregos que se perderão, apenas dois serão recuperados, para questionar o que vamos fazer com os que perdem a sua fonte de rendimento. Sobretudo tendo em conta que o crescimento económico das últimas décadas acentuou já as desigualdades e a insegurança, em especial onde é menor a repartição de riqueza. “Estamos, portanto, diante de um tempo decisivo. Ao mesmo tempo em que defendemos o aperfeiçoamento das tecnologias, abordar as fontes da desigualdade social e económica requer propostas que enfoquem a educação como ferramenta essencial para o desenvolvimento”, diz.

Afonso Camões, que teve a seu cargo o encerramento da Vodafone Business Conference, que esta manhã decorreu na Alfândega do Porto, defendeu que é preciso “incorporar o debate, e a ação, tanto no campo da cooperação internacional, quanto nas políticas nacionais, para enfrentar cenários que nos colocam perante desafios sem precedentes”.

Numa intervenção que terminou a citar a ‘Pedra Filosofal’, o poema de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, membro da Academia das Ciências, o responsável do Global Media Group lembrou que as tecnologias estão a mudar a forma como vivemos, aprendemos e trabalhamos, revolução esta que se distingue das anteriores “pela velocidade, pela dimensão e pela força” com que está a transformar os sistemas de produção, distribuição e consumo. “Exemplos comezinhos como o desaparecimento da intermediação em muitos negócios e setores de atividade e a rápida extensão do comércio eletrónico supõem, por si sós, o desaparecimento de centenas de milhares de empregos”, frisou.

E sendo certo que, tal como nas anteriores revoluções industriais, se espera que este salto tecnológico atual represente, também, um aumento da produtividade e, em consequência, da riqueza, a “grande questão”, frisa, “é como vamos reparti-la no futuro”.

Afonso Camões falou, ainda, do mau uso intencional da inteligência artificial e dos riscos, físicos, políticos ou de segurança, que isso pode acarretar, dando como exemplos a possibilidade de um carro autónomo ser hackeado para se envolver num acidente ou ser usado como arma de arremesso sobre multidões ou das fake news “encherem de ruído” as redes sociais e condicionarem o sentido de voto de milhares de cidadãos. “Se cada vez mais delegamos decisões sobre máquinas como podemos garantir que elas façam a coisa certa?”, questionou, apontando o recente esboço da União Europeia para a criação de um código de ética para a inteligência artificial. “É certamente positivo este passo europeu, de defender valores que gerem confiança. Mas é pouco mais que boa vontade, quando se perdeu para outros continentes a liderança em inteligência artificial”, frisa.

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