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África precisa de 448.000 ME para cumprir Objetivos Desenvolvimento Sustentável

Masiphumelele, Cidade do Cabo, África do Sul. EPA/NIC BOTHMA
Masiphumelele, Cidade do Cabo, África do Sul. EPA/NIC BOTHMA

Número de países com dívidas insustentáveis passou de nove para 17, dificultando a chegada às metas das Nações Unidas.

Os países africanos precisam de 500 mil milhões de dólares (448 mil milhões de euros) para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, disse o vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), numa conferência sobre o endividamento da África subsaariana.

“Para cumprir os ODS nas áreas da educação, saúde e infraestruturas é preciso meio bilião de dólares”, disse Charles Boamah durante uma conferência em Abidjan, organizada pelo BAD e pelo Banco Mundial sobre o tema do sobre-endividamento em África.

Nos últimos sete anos, o perfil da dívida da maioria dos países de médio e baixo rendimento em África deteriorou-se substancialmente, o que fez com que o número de países classificados como tendo uma dívida problemática, ou seja, acima do limiar de sustentabilidade, tenha passado de nove para 17 entre 2013 e 2019.

Charles Boamah vincou que o sobre-endividamento de vários países africanos “está no centro de muitas discussões que decorrem nestes dias” e exemplificou com o aumento de capital em preparação para o BAD e com o reforço financeiro do Fundo Africano de Desenvolvimento.

“A Associação para o Desenvolvimento Internacional (IDA) do Banco Mundial e o ADF estão a trabalhar em conjunto com uma missão comum de desenvolver iniciativas para lidar com as vulnerabilidades nos países-membros”, disse o vice-presidente do BM com o pelouro do Financiamento para o Desenvolvimento, Akihiko Nishio, salientando que estas entidades têm a obrigação de fornecer aos clientes “os recursos e o apoio necessário para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Os ministros das Finanças de vários países africanos que participaram nesta reunião defenderam a criação de estratégias inovadoras para conseguirem financiar-se nos mercados internacionais a preços sustentáveis, incluindo emissões em francos africanos (CFA) e um recurso maior ao financiamento islâmico.

“Devíamos ter a possibilidade de emitir dívida pública em francos africanos, porque como não somos conhecidos nos mercados internacionais, acabamos por pagar um preço mais alto; se tivéssemos um mecanismo de garantia, isto ia permitir-nos emitir dívida soberana a um preço mais baixo”, disse o ministro das Finanças da Costa do Marfim, Adama Koné.

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